sábado, 30 de dezembro de 2017

O Inverno chegou...


O Inverno chegou e foi visitar o mar...




E o mar ficou tão alterado que as ondas se revoltaram.



Naquele fim de tarde olhei-o com olhos de alma e sorri.

Como estava lindo o mar!



As ondas rugiam, chocavam sem permissão... espumavam de furor.
As cores misturavam-se ... no céu e no mar...


Olhei o céu e lá longe, no infinito, o sol brilhava timidamente por entre a densidade das nuvens.


Alheio a tudo, o mar bramia com a intensidade da revolta e, a minha luta amainou... serenou perante a maravilha de tão grandiosa força.


Naquele fim de tarde de Inverno, o Sol ousou romper as nuvens que teimosamente observavam lá do alto com olhar desafiante.




No céu surgem centenas de gaivotas voando indiferentes a caminho do abrigo... é hora de regressar!

Abrigos nas arribas são ninhos abertos a aves perdidas...Tudo se ajusta . A Natureza é pródiga! A  Natureza é sábia!
 Fica sempre a promessa de poder partir e poder voltar...


Repentinamente tudo se acalma! As ondas murmuram e beijam a areia da praia.


As gaivotas vindas não sei de onde, voam e aplanam sobre o mar. E, em voos rasgados vão sonhando e brincando com  liberdade, numa infinita paz... numa infinita harmonia.




E ... saio da minha contemplação e com as asas de gaivota voo na solidão daquele céu mesclado de cores e sorrio para o meu Mar...  



























sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Constância - Passeio às vivências do passado






Numas férias oferecemos um passeio aos netos Gonçalo e Lourenço e por consenso decidimos ir até Constância.
Almoçámos em Almeirim a famosa sopa da pedra e rumámos até à Golegã, capital do cavalo, para visitarmos o museu Carlos Relvas considerado um templo da fotografia mas que se encontrava encerrado.
Continuámos a viagem até Tancos e avistámos o lendário castelo de Almourol que ficou para visitar mais tarde com os pais e os irmãos.



Chegados a Constância passeámos pela agradável zona ribeirinha entre o Tejo e o Zêzere, caminhámos pelas ruelas estreitas e floridas e detivémo-nos perante a estátua de Camões, obra do escultor Mestre Lagoa Henriques.
Passámos pela casa onde Luís de Camões viveu entre 1547 e 1550 e subimos à Igreja Matriz para apreciarmos a pintura do tecto que simboliza a junção dos rios Tejo e Zêzere da autoria do pintor Malhoa.

  

Prosseguimos a viagem até Tancos civil e aí espraiei o meu olhar sobre as águas calmas do rio que me era tão familiar.
Na outra margem, a aldeia do Arripiado "encavalitada" na encosta deixava ver, com orgulho, a sua igreja rodeada das típicas casinhas contornadas a amarelo.

            


Pinheiro Grande fica um pouco mais à frente e era nesta pequena aldeia que os meus avós viviam. Para lá chegar tínhamos duas opções: ou atravessávamos o rio num pequeno barco ou demorávamos o triplo do tempo, com os seus custos porque naquele tempo, em que pouco se viajava, andar de camioneta era considerado um pequeno luxo.
Nesta última versão passávamos pelo Dique dos Vinte (que no tempo das cheias nem sempre era possível ) e pela ponte construída toda em ferro que recebeu o nome do seu impulsionador João Joaquim Isidro dos Reis.  Esta ponte com a extensão de 756m foi inaugurada em 1909 e veio provocar o desenvolvimento da região ligando a povoação de Chamusca à Golegã.




Terminámos o passeio em Tancos com um lanche no café, já modernizado, onde 60 anos atrás esperávamos o barco que nos levava para o Arripiado.
A vivência atribulada de uma passagem de barco durante o período
de cheias ficou para contar na viagem de regresso a casa.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Termas de Alcafache


Em tempo de férias é normal procurar-se um lugar diferente que nos ajude a retemperar forças e até a quebrar rotinas.
Foi com esta disponibilidade que resolvi descansar, alguns dias, nas Termas de Alcafache.
Tinham-me falado que eram óptimas águas para o sistema músculo-esquelético e que era o local ideal para recuperar energias.
Recolhi em Viseu informações sobre o alojamento e quando cheguei às termas alojei-me no pequeno hotel existente.


Estava um calor sufocante e ainda não tinha acabado de retirar a mala do carro, eis senão quando ribomba um forte trovão com queda de um raio.
Fiquei estarrecida e com vontade de recuar quando me disseram que há alguns dias, aquela, era já uma situação habitual.
Parecia que os elementos da Natureza tinham resolvido  unir-se para me darem as boas-vindas, mas da forma que eu menos desejava.
A chuva que caía com intensidade entretanto parou, e meia hora depois tudo era silêncio.
O calor acalmou e ficou o cheiro a terra molhada...
O passeio à pequena mata que ladeia o rio Dão era uma das minhas preferências.         



Logo pela manhã, quando o calor ainda se fazia sentir, como eu gostava de saltitar por cima das pedras que formam sinuosos caminhos escorregadios mas que eu, infantilmente, percorria com prazer.



Naquele recanto redescobri a Natureza no seu estado mais puro e fui ao encontro de memórias de um tempo que julgava esquecido.
Os cheiros da terra molhada, da água sulfurosa e da caruma que atapetava o caminho, trouxeram-me lembranças da minha infância... e senti-me feliz.




O silêncio só quebrado pelo voo de um pássaro, o estalar do ramo  pisado, as gargalhadas das crianças que despreocupadamente  
se banhavam no açude, a ponte romana, por onde passavam os carros que vinham da cidade, compunham o cenário ideal para repousar o corpo e a mente.



Fiquei completamente rendida pela tranquilidade que se respirava ali, pelas refeições pacatamente servidas sempre a horas, pelo sorriso da funcionária de farda  e avental bordado a Tibaldinho que com vantagem, me distanciavam das correrias e das esperas habituais nas mesas dos restaurantes.
Hei-de voltar um dia, se Deus quiser, quando sentir a necessidade de me deixar "mimar" pela pureza bucólica de Alcafache e pela simplicidade das pessoas que conheci.






quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A fuga - Acrílico


                              A fuga - Pintura em acrílico



                                      O que me prende?
                                      O que me agarra
                                      Como tenazes
                                      Ao teu e meu sofrer?
                                      Quero esquecer.
                                      Quero libertar-me...
                                      Mas as cadeias
                                      Que me amarram
                                      Fazem parte de mim. ..
                                      Quero fugir.
                                      Quero partir
                                      Para bem longe de mim.
                                      Quero sorrir
                                      Quero sentir Abrigo
                                      Dentro de mim.
                                                                            (Anónimo)
                                                                      
A fuga nem sempre será a solução e poderá ser encarada como sinal de cobardia mas, por vezes é uma atitude inteligente para contornar situações de conflito.

A família real portuguesa fugiu para o Brasil em Novembro de 1807 para escapar aos invasores franceses e por lá ficou até 1821.
A viagem foi, segundo reza a História, bastante atribulada com tempestades e alimentos infestados de insectos mas tudo era preferível a ser apanhada pelas tropas de Napoleão.
Em 1822, o Brasil declara a sua independência de Portugal e D. Pedro, filho de D. João VI, sobe ao trono como imperador.  

sábado, 18 de novembro de 2017

Marie Curie - Aguarela


                                                                           Aguarela
                                                 


Marie Curie nasceu em Varsóvia, na Polónia, em 1867 e foi a primeira mulher a ganhar um Prémio Nobel e a primeira a leccionar na Sorbonne em Paris.
Era a filha mais nova de professores e a família ao perder as propriedades ficou com uma vida difícil.
Ao crescer, Marie deparou-se com o problema do preconceito com as mulheres que ambicionavam entrar para uma universidade.
Em Varsóvia não aceitavam mulheres nas universidades pelo que teve de ingressar numa universidade francesa. 
Acordou com a irmã pagar-lhe os estudos de Medicina em Paris e posteriormente receber o mesmo favor.
Trabalhou como governanta e apaixonou-se pelo filho da família Zorawski que mais tarde se tornou um matemático eminente e Reitor da Universidade de Varsóvia.
A família rejeitou-a pelas suas dificuldades económicas e ele não se opôs. Marie sofreu mas, determinada, deu novo rumo à sua vida.
Marie passou a exercer a profissão de professora particular dos filhos de famílias ricas. 
Estudou em Paris na Sorbonne e sofreu muitas privações para poder estudar. Vivia num sótão exíguo quase sem ar e muitas vezes só se alimentava com rabanetes que eram um alimento mais económico.
Chegou a desmaiar com a fome e o cansaço.
O interesse pelas ciências naturais aproximou-a de Pierre Curie com quem se veio a casar.
Ganhou o Prémio Nobel da Física em 1903 conjuntamente com Pierre Curie e Antoine Becquerel.
Foi a primeira mulher a receber o prémio pelas investigações conjuntas sobre os fenómenos da radiação.
Em 1905 Pierre assumiu a cátedra de Física na Sorbonne e, em 1906 é atropelado vindo a falecer. 
Marie Curie  assume a cátedra e foi assim a primeira mulher a leccionar na Sorbonne.
Em 1911 recebeu o 2º Prémio Nobel.
Foi a primeira mulher laureada com dois pémios: um de Física e outro de Química porque conduziu pesquisas pioneiras no ramo da radioactividade.
Durante a Guerra usou o uso da radiografia móvel para tratamento dos soldados feridos. 
Morreu em 1934 com leucemia devido à sua constante exposição ao rádio.
Era uma linda mulher que perdeu a beleza e a vida pela humanidade.
Após a sua morte, a filha mais velha, Irène Curie recebeu o Prémio  Nobel da Química em 1935.
A filha Éve Curie escreveu a mais famosa biografia sobre a cientista que foi traduzida em várias línguas e deu origem a um filme sobre a sua vida.

"A vida não é fácil para nenhum de nós. Então e depois? Temos de ter perseverança e, acima de tudo, confiança em nós próprios.Temos de acreditar que somos dotados para alguma coisa e que essa coisa deve ser alcançada, custe o que custar."

MARIE CURIE ( 1867-1934) 

domingo, 12 de novembro de 2017

A matriarca - Aguarela

Gosto das pessoas com as suas qualidades e defeitos. Todas me têm ajudado, de uma ou de outra forma, a crescer e a ser aquilo que sou. Hoje lembrei-me de duas grandes senhoras a quem muito devo: a minha Mãe e a Drª Gracinda.
À Mãe a quem devo o ser, que me criou com desvelo e amor, educou e me acompanhou nos bons e maus momentos. 
À Drª. Gracinda que conheci na idade adulta e que me curou, incentivou e foi grande amiga.
Ambas mães dedicadas e altruistas. Verdadeiras matriarcas, cada uma a seu modo. 





A matriarca (aguarela)


Via-a como uma força inabalável que transmitia confiança e esperança. 


Havia sempre um conselho, uma frase carregada de sentido, ou uma história a ilustrar pensamentos e memórias.

Naquele rosto havia ainda traços de uma beleza que a doença e a idade não tinham ousado apagar.

Transportava sabedoria nos seus olhos de azul-violeta quando me perscrutava e num sorriso enigmático mostrava o carinho que sentia por mim.

Senhora de uma cultura vastíssima, enriquecida pelos muitos conhecimentos académicos que adquiriu ao longo da vida teve a
humildade de me incluir na sua lista de amigos.

Lembro com saudade os nossos diálogos telefónicos, quando já não podia sair de casa, das vivências ricas de experiências, de viagens pelo mundo, da paixão pela leitura e de uma vida social, da qual procurava fugir.

Com os seus conhecimentos aprendi, com as suas palavras viajei, ri.... amadureci.

Era uma verdadeira matriarca mas adivinhei, nas suas palavras muita renúncia e sofrimento.


À minha Mãe...


Não nasceu em berço de ouro mas tinha a dignidade de uma grande
Senhora que na sua singeleza, transmitiu princípios e valores de que me orgulho.

Mãe terna, carinhosa e sempre atenta às necessidades de todos.
Estar com ela era sentir a tranquilidade das coisas simples, era sentirmo-nos completos.

Passou pela vida com a serenidade e a aceitação de quem tudo dá e nada procura.

Companheira nos bons e maus momentos, submissa e educada, foi ultrapassando fragilidades e reveses sempre com um sorriso.

E que lindo era o sorriso de minha mãe! E o seu olhar...! Guardo-os no meu coração.

A sua maior preocupação era a família. A união era a sua força!
Partiu com a serenidade de um anjo...E, nada mais foi igual!


Nada é tão forte como a suavidade; nada é tão suave como a verdadeira força. 
                                              S. Francisco de Sales                                    

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Praia de Manta Rota - Para o meu neto Diogo.


      Gosto de caminhar pelos passadiços e sentir o cheiro selvagem        no ar. 


           Gosto da companhia do Diogo e do seu jeito de olhar.

        
           Gosto de ouvir o cantar das cigarras  e voltar  a sonhar.




Gosto do brilho do mar quando  a luz do Sol o vem  acariciar.



Gosto de ver ao entardecer as gaivotas na areia.




Gosto de caminhar na areia molhada e, com os pés na água chapinhar.



Gosto de ver as ondas a areia beijar




         Gosto de mergulhar na água morna e nela me deixar anelar.


`

                             Gosto de até à Ria caminhar ...
                          




E...  para casa leve e feliz voltar.







 
                



              E... como a canção diz: "Gosto de viver assim..."





Gosto porque gosto da beleza das coisas simples.

Gosto porque gosto da Natureza no seu estado selvagem. 

Gosto porque gosto de respirar o ar puro e sentir a liberdade de poder estar...



Para os meus filhos e netos dedico esta canção.