sexta-feira, 30 de março de 2018


                                                                Menina Mulher




O sonho e a realidade.



Nos momentos fugazes em que nos sentimos impelidos ou projectados para outras dimensões do irreal; podemo-nos sentir personagens felizes, ou não, dependentes sempre da perspectiva das nossas ambições.
As crianças, especialmente do sexo feminino, personalizam-se como princesas e os familiares, alimentam, às vezes, essa necessidade ou vontade de passar para o outro lado do "faz de conta". 
Afinal, com tão pouco se faz a felicidade de uma criança e ainda é possível sonhar.
Mas mesmo no imaginário infantil, nem tudo é cor-de-rosa, também se luta com a bruxa ou a fada má.
A diferença no mundo da fantasia é que tudo é possível e acaba por terminar bem quando aparece algum príncipe encantado, ou a fada boa que com toques de magia transforma o mal em bem. 
Na vida real, nem sempre é assim, nas voltas e contravoltas a que a vida nos obriga, não podemos deixar de lutar e ser  fortes para não deixar escapar  a criança que há em nós.
O truque é olharmos com os seus olhos para as coisas simples da vida e caminharmos com ela, à procura do sonho!

quinta-feira, 29 de março de 2018

Renoir e o impressionismo

Pierre-Auguste Renoir nasceu  em Limoges, França, a 25 de Fevereiro de 1841
Durante um período da sua adolescência tornou-se aprendiz de pintura em porcelana.
Copiava desenhos para decorar pratos e outras louças e usava todo o tipo de pintura decorativa, o que lhe permitiu angariar algum dinheiro para entrar na École de Beaux-Artes.
A sua forte tendência para desenhar levou-o a imitar  quadros pendurados no Louvre.
Fez amizades com Claude Monet e, mais tarde, através deste, com Pissarro e Paul Cézanne
Entre 1870 e 1883 entra no seu período impressionista.






Para os impressionistas era muito importante pintar no exterior pela interpretação das cores, pelos contrastes de luz e sombra, do colorido e dos vários cambiantes que surgiam  de acordo com a luz e a hora do dia em que pintavam.
Entre 1884 e 1887, Renoir entrou num período de quase rotura com o impressionismo.
Entretanto, a sua pintura vai-se modificando lentamente. A figura feminina ganha dimensão e pinta com frequência a figura da esposa e do filho que nasceu tardiamente.
Os seus trabalhos são reconhecidos o que lhe permite ter uma vida desafogada.
Após uma exposição, um quadro seu foi comprado pelo Louvre o que lhe trouxe mais notoriedade.
Surgiu-lhe uma doença reumática que o atacou durante anos e as dores quase insuportáveis condicionavam-no. Chegou a pintar com os pincéis amarrados entre os dedos, nas mãos ligadas.
Veio a falecer em 3 de Dezembro de 1919 acometido de uma pneumonia.
Foi classificado como o pintor da Luz, da Felicidade e da Harmonia e um dos mais famosos pintores do movimento impressionista.
Produziu cerca de 6000 trabalhos.
"Le Moulin de la Galette", óleo sobre tela que se encontra no Musée d´Orsay em Paris, é o marco da pintura impressionista.



 

quarta-feira, 28 de março de 2018

domingo, 25 de março de 2018

O Náufrago - Aguarela




    
                           O Náufrago - aguarela de Manuela Estêvão pintada em 2001.


                          
                                            
                                            Naufrágio

                             Pus o meu sonho num navio
                             e o navio em cima do mar;
                             depois, abri o mar com as mãos,
                             para o meu sonho naufragar

                             Minhas mãos ainda estão molhadas
                             do azul das ondas entreabertas,
                             e a cor  que escorre dos meus dedos
                             cobre as areias desertas.

                             O vento vem vindo de longe,
                             a noite se curva de frio;
                             debaixo da água vao morrendo
                             meu sonho, dentro de um navio

                             Chorarei quanto for preciso
                             para fazer com que o mar cresça,
                             e o meu navio chegue ao fundo
                             e o meu sonho desapareça.

                             Depois, tudo estará perfeito;
                             praia lisa, águas ordenadas,
                             meus olhos secos como pedras
                             e as minhas duas mãos quebradas.


                             Cecília Meireles (Poetisa brasileira, 1901- 1964)

sábado, 24 de março de 2018

A Bóia salva- vidas






Jorge Noras é o inventor da bóia telecomandada que salva vidas 
É um equipamento que socorre à distância, com a rapidez necessária, sem colocar a vida do nadador salvador em perigo de vida.
Está apetrechada com um equipamento electrónico próprio para a navegação, com a orientação precisa e independente das condições do mar.
É um projecto pioneiro no mundo, concebido por um jovem altruísta português  que, nas suas constantes criações, idealizou salvar vidas.
É um orgulho para Portugal e a sua simplicidade levou-o a registar a patente no seu país, apesar de ter muitas propostas para a vender a
investidores internacionais.




Foi meu aluno e a recordação que tenho é de uma criança sonhadora, algo introspectiva, amiga dos colegas mas que trocava fácilmente qualquer actividade lúdica no recreio, para se afastar e desenhar.
Quantas vezes lhe chamei a atenção para estar atento ao que se explicava  no quadro. Olhava, sorria....  e quando me apanhava distraída lá continuava a fazer desenhos no papel.
O Jorge estava na sua fase criativa desenhando pequenas máquinas. Afinal era esse o seu interesse, e não o que eu tentava transmitir.
O seu mundo não era aquele, era outro, e a sua cabeça de menino estava povoada de grandes ideias que em fase embrionária esperavam apenas o momento para desabrochar.
Não havia naquela época testes de personalidade, psicotécnicos ou psicólogo na escola que colaborasse com o professor no sentido de compreender melhor o aluno. Era a intuição e a forma empírica de abordar as situações que actuavam.
Não estudou engenharia mas a sua veia de artista e a curiosidade pela tecnologia das máquinas permitiu-lhe avançar e, com o seu esforço, desbravar caminhos e recursos que talvez nunca pensasse conseguir alcançar.
A sua ligação às motas de água de alta competição, melhorando os seus motores, permitiu à marca vencer campeonatos mundiais, o que lhe valeu ver o seu nome "Noras Racing" numa mota.





No dia 1 de Maio de 2017, com a presença do Senhor Presidente da República e altas individualidades políticas e empresariais, nacionais e estrangeiras, inaugurou a sua fábrica com as linhas de montagem da bóia salva-vidas "menina dos seus olhos".







Senti-me muito honrada com o convite do Jorge para eu estar presente naquele momento tão importante da sua vida. Ele fez questão de ter ali a sua 1ª professora. Foi um gesto carinhoso e nobre que jamais esquecerei.
Veio-me à memória a lembrança dos pais já falecidos e pensei no orgulho que sentiriam.

Criou uma Fundação dirigida pelo Padre Víctor Melícias cujos fundos se destinam a próteses para deficientes. 
Bem-hajas, Jorge Noras, por todo o mérito que granjeaste pelo teu esforço e espírito arrojado e empreendedor.
Deus permita que continues a sonhar e a criar... quem sabe?...
alguns engenhos que venham auxiliar músculos sem estímulos para que  possam  devolver a motricidade e a auto-estima a tantos deficientes que dela carecem.





  





quinta-feira, 22 de março de 2018

Dolce CampoReal Lisboa.







Na zona Oeste e com a possibilidade de disfrutar de maravilhosos, quase únicos, poentes e de paisagens da costa marítima deslumbrantes, temos a escassos 25 km, o Resort Dolce CampoReal Lisboa com todas as vantagens de um espaço calmo em contacto directo com a Natureza.








Com hotel de charme, várias piscinas interior e exteriores, spa, campos de golfe a perder de vista, campo de ténis, equitação e, sobretudo, ar muito puro e um clima mais ameno do que  é habitual nesta zona do Oeste, vai transformá-lo num espaço de eleição.   
        







Gosto de passear pelos verdes espaços, procurando não correr o risco de levar com as bolas de golfe na cabeça, e observar as zonas bem cuidadas que na Primavera estão mais verdejantes e floridas, a par de outras, naturalmente mais selvagens.
Quando há menos movimento nos campos de golfe é bom sentir a liberdade do vazio à minha volta e caminhar ouvindo no silêncio o chilrear   dos pássaros que em voos rápidos procuram as árvores.  


   



























À nossa volta a Natureza  é bela mas ao olharmos para a montanha e  bem lá no alto, avistamos a ermida de Nossa Senhora do Socorro que nos convida a meditar.
É mais um dos locais preferidos que me trazem a serenidade e a paz de espírito de que tanto necessito para me abstrair dos problemas que por vezes surgem.











Estar com os netos neste espaço quase idílico transforma-me e quase me sinto criança também.

O Tomás que é o mais novo dos rapazes fez-me rir com algumas charadas simples mas cómicas pela forma séria como ele as apresenta. Uma delas:
-Ó avó, diz-me o que é que o livro de Matemática diz para o livro de História? 
Penso mas não me ocorre nada. 
Resposta dele:
-Ó pá, não me contes mais histórias que eu estou cheio de problemas!!! 


Rimos, aprendi algumas, ensinei outras e fiquei tão feliz que até 
esqueci a dor de cabeça.

terça-feira, 20 de março de 2018

Dia do Pai - Aguarela





Aguarela  -  O Abraço


                 

                                                                                                             PAI


Tenho saudades do teu abraço. Quando pequenina me agarravas ao colo como eu me sentia segura.
Nada receava.
Olho para trás e vejo-te sempre muito presente. Estavas sempre lá.
Quando ia a Lisboa ao Instituto, era sentada no teu joelho que eu recebia o tratamento. Agarrada a ti não tinha medo do grande aparelho. Era tudo bem mais fácil.
Quando terminei a primária acreditaste que eu tinha potencial para continuar e, mesmo com as dificuldades da época, arriscaste.
Eras um pai com visão e trataste de tudo para que eu estudasse com bolsa de estudo. Não te desiludi.
Todos os meses me ias visitar a Portalegre e como eu ficava feliz com o teu abraço. Dáva-me força para continuar e apaziguar as saudades que eu tinha da mãe, do Tonito e da casa. Nunca te disse para não ficares triste. Tinhas tanta confiança em mim!
Foi pelo teu braço que eu subi ao altar. 
Foste um avô sempre presente mesmo morando afastado dos netos. Nas festas de anos, nas suas brincadeiras, nas histórias que lhes contavas, nos passeios que partilhávamos, nos incentivos aos estudos e na presença sempre disponível em situações de doença, estavas lá, com o teu abraço.
Os netos casaram, vieram os bisnetos e a tua filosofia foi a mesma.
O avô Manuel era o "dinossauro" da pequenada e até ensinava a jogar matraquilhos e sabia ganhar. Na praia brincava na areia e até se deitava na água.
Abriu a Universidade Sénior e foste dos primeiros alunos a frequentá-la. Eras participativo, interessado e até aí me acompanhaste com os teus conselhos, com o teu abraço.
Quando a mãe partiu, também com a tua força, me ajudaste a superar o vazio que ela deixou.
A decoração da casa ficou igual e a tua resistência em viver sózinho e a forma peculiar com que lidaste com as memórias couraçaram-te.
Agora, com os teus quase 95 anos e já acamado, ainda me acompanhas nos pequenos diálogos de volta ao passado. Aí uso as histórias que nos contavas e, por vezes, já não és o pai mas o menino que ainda nos consegue surpreender com palavras soltas mas inspiradas.
Já não apareces mas, graças a Deus, estás ainda presente e dizes todos os dias à nossa chegada: "Ainda cá estou." 
Parece que ao veres a família te dá força para viver.
Pai, és um Homem de forte personalidade, ora sorris. ora impões mas com um sentido de família e do dever muito acentuado. Foste e serás sempre militar!
Mas eras meigo, honesto, cumpridor e amigo do teu amigo. Será assim que te recordarei. 
Atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher e a teu lado esteve sempre uma grande Senhora, a minha Mãe que te amou com devoção e te apoiou sempre em todas as situações, muitas vezes esquecendo-se de si própria. 
Hoje, Dia do Pai, quero dar-te um grande Abraço de agradecimento por tudo o que nos deste e o que não pudeste e ouvir a tua costumada frase:" É preciso Acreditar".
   



sábado, 17 de março de 2018

Aguarela


Aguarela - Arqueologia Náutica





Quadro que serviu de cartaz na minha Exposição de Aguarelas na Galeria do 1º Piso no Edifício dos Paços do Concelho em Torres Vedras.


O Cais Palafita da Carrasqueira.







Num desses passeios para encontrarmos algo de novo, neste Portugal tão cheio de surpresas, fomos até à foz do Sado. 
Passeámos pela Comporta e quando nos embrenhámos numa estrada apertada de terra batida e já resolvidos a voltar para trás porque nos julgávamos fora de rota, eis senão quando, avistámos um cenário de beleza estranha que nos obrigou a parar. 
Uma tosca tábua anunciava o cais palafita da Carrasqueira.




Saí  do carro e tirei algumas fotos, poucas, porque a escassez de luz do momento não mostrava a beleza real daquele cais que iluminado pelo pôr do sol seria fantástico. 
É uma obra-prima da arquitectura popular. Composta por estacas cravadas no lamaçal e em ziguezague forma um ancoradouro para os barcos de pesca. Foi construída na década de 50/60.













Vieram à minha memória as construções lacustres da vala de Alpiarça, onde os pescadores viviam com as suas famílias numa espécie de aldeia palafita. As construções em cima de estacas evitavam que as casas fossem arrastadas pela correnteza da água. Na escola que eu frequentava, tinha colegas que viviam nessas casas e eu, às vezes, ia lá brincar com elas. Adorava, era tudo diferente! 
No Inverno quando havia as cheias, elas vinham de barco quase até à escola. Era uma festa quando as víamos chegar.
Que saudade desse tempo de coisas tão simples mas que ainda mantenho intactas no meu coração.











quinta-feira, 15 de março de 2018

Procissão do Senhor dos Passos





No dia 25 de Março, 2º Domingo da Quaresma, celebrou-se a procissão do Senhor dos Passos em Torres Vedras.
É sempre um momento de Fé e os católicos da cidade e do concelho movimentam-se para o viverem com muita solenidade.




O encontro da Mãe com seu Filho segurando a Cruz é sempre emocionante e é um testemunho da paixão vivida pelos crentes. O sermão orientado este ano pelo jovem padre Rui, natural de Torres Vedras, dirigiu palavras de força e de esperança.  














                                           


                                                                                       

         

Pelas ruas da cidade vai passando a procissão num silêncio que exprime mais do que quaisquer palavras.



           
                                             





     






















                       
     
                                   


Terminada a procissão houve Missa na Igreja de Nossa Senhora da Graça


Fiquei muito feliz porque este ano a tradição cumpriu-se. O meu sogro levou durante muitos anos o andor do Senhor dos Passos, já idoso, passou para o filho e, nesta procissão foi o neto  que o levou e o bisneto que segurou o pálio. São quatro gerações numa verdadeira catequese! Graças a Deus!



                   
                                                                           

                                                                
        





domingo, 11 de março de 2018

Aldeia de Quintandona.








Quando saímos da Aveleda a caminho do Porto, mudámos o rumo à procura do que eu chamo "um Portugal desconhecido". Deparámos com estradas mais apertadas e o anúncio da Festa do Caldo que nos despertou a curiosidade.
Resolvemos descer a longa estrada que nos levou à pequena aldeia de Quintandona que pertence à freguesia de Lagares e concelho de Penafiel. 




Interpelámos um morador que estava a fazer a limpeza do quintal porque a Festa do Caldo tinha terminado no dia anterior.
Havia grande azáfama nos trabalhos de limpeza no recinto da festa. 
Segundo nos informou, ela mobiliza  gente das regiões vizinhas e muitos imigrantes que ali acorrem no 3º fim de semana de Setembro e que enchem de alegria as típicas ruas da aldeia.
Há presunto, enchidos, pão de regueifa, cabrito assado, arroz de forno, pão de ló, pão podre, leite creme e vinho verde até fartar.



                                                  A Capela

Na construção das casas da aldeia utilizam o xisto, granito , a lousa e a madeira. As casas são reabilitadas por jovens casais . Muitos  deles trabalham no Porto, mas como Quintandona está à distância de 30 minutos de carro vêm à procura de melhor qualidade de vida.
O ambiente bucólico, o ar que se respira e a tranquilidade atraem-nos.
Na realidade, passámos por gente muito jovem, alguns já acompanhados dos filhos. 





                                                Casa  da Viúva

Nesta aldeia faz-se Teatro e a companhia escolheu este local para se inspirar e dinamizar a arte que atrai muitos visitantes. 
O Grupo de Teatro tem o nome de ComoDEantes.
A Casa do Xiné é um Centro Cultural, o WineBar e a Casa da Viúva são espaços de convívio dos novos e jovens habitantes. 
A cerca de 2 Km fica a Citânia do Monte Mozinho - Cidade Morta considerada a mais extensa da Península Ibérica e que terá sido a capital dos Galegos que a habitavam.
Quintandona, nome que lhe vem da Quinta da Dona, tem ruelas, casas e típicos lavadouros perfeitamente recuperados que lhe deu o estatuto de aldeia preservada bem na Rota do Românico.
Gostei de a conhecer.



                                        Os típicos lavadouros