O Inverno chegou e foi visitar o mar...
E o mar ficou tão alterado que as ondas se revoltaram.
Naquele fim de tarde olhei-o com olhos de alma e sorri.
Como estava lindo o mar!
As ondas rugiam, chocavam sem permissão... espumavam de furor.
As cores misturavam-se ... no céu e no mar...
Olhei o céu e lá longe, no infinito, o sol brilhava timidamente por entre a densidade das nuvens.
Alheio a tudo, o mar bramia com a intensidade da revolta e, a minha luta amainou... serenou perante a maravilha de tão grandiosa força.
Naquele fim de tarde de Inverno, o Sol ousou romper as nuvens que teimosamente observavam lá do alto com olhar desafiante.
No céu surgem centenas de gaivotas voando indiferentes a caminho do abrigo... é hora de regressar!
Abrigos nas arribas são ninhos abertos a aves perdidas...Tudo se ajusta . A Natureza é pródiga! A Natureza é sábia!
Fica sempre a promessa de poder partir e poder voltar...
Repentinamente tudo se acalma! As ondas murmuram e beijam a areia da praia.
As gaivotas vindas não sei de onde, voam e aplanam sobre o mar. E, em voos rasgados vão sonhando e brincando com liberdade, numa infinita paz... numa infinita harmonia.
E ... saio da minha contemplação e com as asas de gaivota voo na solidão daquele céu mesclado de cores e sorrio para o meu Mar...