quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Sonho de menina mulher! ( Aguarela )





                                                                   Aguarela 


A nossa mente prega-nos algumas partidas vindas talvez dos espaços mais recônditos do nosso subconsciente  e que nos deixam, por vezes, nostálgicos de saudade do que para trás ficou.
Quando era pequena gostava muito de ler e a minha mãe escondia-me os livros porque, dizia ela, os da escola já chegavam para me cansar o cérebro. 
Volvidos tantos anos , a vontade de ler quase desapareceu. São os olhos que choram, a visão fica turva, a cabeça dói  e o interesse vai esmorecendo. Que pena! 
A leitura levava-me para um espaço  que me soltava a imaginação deixando-me  leve e feliz.
Nesse mundo onírico em que por momentos vivia, não havia doenças, não havia guerras, não havia maldade nem inveja.
Nesse mundo sonhado, de príncipes e princesas, de castelos e palácios no meio de jardins floridos e relva verdejante,  soltava os cabelos ao vento norte e,  de chapéu na mão,  corria ... corria ...O
mundo era meu. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Filipe entre os golfinhos.

O meu filho Filipe foi sempre muito corajoso e tem  uma força estranha que nos impele e não nos deixa sossobrar perante as tentativas, sempre renovadas, de uma cura que nunca se alcança. A esperança na ciência, o Milagre que se pede em silêncio e não chega, o esforço contínuo de exercícios físicos para tentar manter a marcha tão dificultada. Não é fácil!!!
O meu Filipe é um verdadeiro Lutador. Desde pequeno, com a ajuda e amor dos pais, a ternura do irmão e da família, especialmente dos avós, agarrou com  determinação a sua dificuldade motora, sempre com um sorriso, serenidade e sem revolta.
Nos seus 42 anos de vida venceu barreiras, desilusões inerentes a qualquer jovem mas nunca lhe ouvi alguma revolta contra Deus.
Ajudei-o nos estudos, é um bom funcionário, trabalhador, amigo e sempre pronto a ajudar quem precisa e considera-se feliz.
A natação era o desporto que ele mais gostava mas na selecção para os paralímpicos ficava sempre de fora porque a deficiência como não era específica não lhe permitia alcançar os requisitos impostos.

O chefe de secção e colegas da Empresa convidaram-no para visitar Cuba. Foi para ele uma alegria imensa. Aqui ficam algumas imagens da sua experiência com os golfinhos e da empatia entre seres tão diferentes mas ligados pela pureza simples do amor.
Bem hajam os maravilhosos amigos que o lançaram nesta aventura que ele nunca esquecerá. 

















Tão ternurentos que são os golfinhos! O Filipe contou-nos que se sentiu muito calmo e leve.



segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Os meus presépios



Este ano, por vários motivos, não sentia muita disposição para  decorar a casa pelo Natal.

Numa manhã , entrei numa loja de artigos vários e, este Menino Jesus sorriu para mim. Agarrei-o no meu colo e senti toda a ternura do seu olhar. Era o melhor presente de Natal e guardei-o com amor. 
Ao chegar a casa, a minha disposição era outra.
Enrolei-o numa capinha de organza e em cima do meu véu antigo de menina, coloquei-o em cima de uma mesa rodeado de pequenos anjos.
A alegria do seu rosto irradia tanta beleza e serenidade!...
Voltei à loja e comprei vários que distribuí pelas pessoas que entendi dele precisarem e senti que fiz a escolha certa. 




Tenho também o "Jesus Negrinho" que carinhosamente me foi oferecido pelo meu neto Diogo  e que eu adoro pela forma ternurenta como coloca as mãos para fazer "ó...ó".



    

Gosto muito das minhas "lapinhas" mas o sorriso do meu Menino Jesus, comprado na lojinha do chinês, cativou-me.



domingo, 6 de janeiro de 2019

Ao meu velhinho...Pai.





Quando a Mãe partiu tudo ficou mais triste . Nada ficou igual...
O ambiente à nossa volta ficou pesado...mas havia o Pai para cuidar. Ou era ele que cuidava de nós?!!. Sempre teve uma personalidade forte e era muito protector.
No início senti-o vacilar.
Ficámos os três.  Cada um procurava, à sua maneira, a melhor forma de colaborar  para o incentivar a viver.






As aulas na AUTITV - Universidade Sénior, o convívio com alunos e professores, as tertúlias nos cafés com os amigos, as refeições em família , os passeios e a alegria dos bisnetos, acrescentaram-lhe   anos à sua já longa vida.
















Os anos passam e não perdoam. Vão deixando marcas no corpo e na alma dos que partem e dos que ficam. Resta-nos  o conforto do dever cumprido  e a recordação dos momentos de amor que soubémos e pudémos dar.












E é assim que eu o quero lembrar !