sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Termas de Alcafache


Em tempo de férias é normal procurar-se um lugar diferente que nos ajude a retemperar forças e até a quebrar rotinas.
Foi com esta disponibilidade que resolvi descansar, alguns dias, nas Termas de Alcafache.
Tinham-me falado que eram óptimas águas para o sistema músculo-esquelético e que era o local ideal para recuperar energias.
Recolhi em Viseu informações sobre o alojamento e quando cheguei às termas alojei-me no pequeno hotel existente.


Estava um calor sufocante e ainda não tinha acabado de retirar a mala do carro, eis senão quando ribomba um forte trovão com queda de um raio.
Fiquei estarrecida e com vontade de recuar quando me disseram que há alguns dias, aquela, era já uma situação habitual.
Parecia que os elementos da Natureza tinham resolvido  unir-se para me darem as boas-vindas, mas da forma que eu menos desejava.
A chuva que caía com intensidade entretanto parou, e meia hora depois tudo era silêncio.
O calor acalmou e ficou o cheiro a terra molhada...
O passeio à pequena mata que ladeia o rio Dão era uma das minhas preferências.         



Logo pela manhã, quando o calor ainda se fazia sentir, como eu gostava de saltitar por cima das pedras que formam sinuosos caminhos escorregadios mas que eu, infantilmente, percorria com prazer.



Naquele recanto redescobri a Natureza no seu estado mais puro e fui ao encontro de memórias de um tempo que julgava esquecido.
Os cheiros da terra molhada, da água sulfurosa e da caruma que atapetava o caminho, trouxeram-me lembranças da minha infância... e senti-me feliz.




O silêncio só quebrado pelo voo de um pássaro, o estalar do ramo  pisado, as gargalhadas das crianças que despreocupadamente  
se banhavam no açude, a ponte romana, por onde passavam os carros que vinham da cidade, compunham o cenário ideal para repousar o corpo e a mente.



Fiquei completamente rendida pela tranquilidade que se respirava ali, pelas refeições pacatamente servidas sempre a horas, pelo sorriso da funcionária de farda  e avental bordado a Tibaldinho que com vantagem, me distanciavam das correrias e das esperas habituais nas mesas dos restaurantes.
Hei-de voltar um dia, se Deus quiser, quando sentir a necessidade de me deixar "mimar" pela pureza bucólica de Alcafache e pela simplicidade das pessoas que conheci.






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