domingo, 12 de novembro de 2017

A matriarca - Aguarela

Gosto das pessoas com as suas qualidades e defeitos. Todas me têm ajudado, de uma ou de outra forma, a crescer e a ser aquilo que sou. Hoje lembrei-me de duas grandes senhoras a quem muito devo: a minha Mãe e a Drª Gracinda.
À Mãe a quem devo o ser, que me criou com desvelo e amor, educou e me acompanhou nos bons e maus momentos. 
À Drª. Gracinda que conheci na idade adulta e que me curou, incentivou e foi grande amiga.
Ambas mães dedicadas e altruistas. Verdadeiras matriarcas, cada uma a seu modo. 





A matriarca (aguarela)


Via-a como uma força inabalável que transmitia confiança e esperança. 


Havia sempre um conselho, uma frase carregada de sentido, ou uma história a ilustrar pensamentos e memórias.

Naquele rosto havia ainda traços de uma beleza que a doença e a idade não tinham ousado apagar.

Transportava sabedoria nos seus olhos de azul-violeta quando me perscrutava e num sorriso enigmático mostrava o carinho que sentia por mim.

Senhora de uma cultura vastíssima, enriquecida pelos muitos conhecimentos académicos que adquiriu ao longo da vida teve a
humildade de me incluir na sua lista de amigos.

Lembro com saudade os nossos diálogos telefónicos, quando já não podia sair de casa, das vivências ricas de experiências, de viagens pelo mundo, da paixão pela leitura e de uma vida social, da qual procurava fugir.

Com os seus conhecimentos aprendi, com as suas palavras viajei, ri.... amadureci.

Era uma verdadeira matriarca mas adivinhei, nas suas palavras muita renúncia e sofrimento.


À minha Mãe...


Não nasceu em berço de ouro mas tinha a dignidade de uma grande
Senhora que na sua singeleza, transmitiu princípios e valores de que me orgulho.

Mãe terna, carinhosa e sempre atenta às necessidades de todos.
Estar com ela era sentir a tranquilidade das coisas simples, era sentirmo-nos completos.

Passou pela vida com a serenidade e a aceitação de quem tudo dá e nada procura.

Companheira nos bons e maus momentos, submissa e educada, foi ultrapassando fragilidades e reveses sempre com um sorriso.

E que lindo era o sorriso de minha mãe! E o seu olhar...! Guardo-os no meu coração.

A sua maior preocupação era a família. A união era a sua força!
Partiu com a serenidade de um anjo...E, nada mais foi igual!


Nada é tão forte como a suavidade; nada é tão suave como a verdadeira força. 
                                              S. Francisco de Sales                                    

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