Naquele domingo em que saímos para Fátima resolvemos almoçar em São Martinho do Porto.
O dia estava muito quente e depois de uma boa sardinhada veio a prostração que nos levou a mudar o rumo da visita para a Nazaré.
A brisa que vinha do mar restituiu-nos o fôlego e assim caminhámos na marginal pejada de turistas.
Um mundo de recordações desfilou perante o meu olhar... lá estava eu, menina e moça, sentada na areia da praia a brincar com o meu irmão.
Veio à memória a foto que tirámos vestidos de varina e pescador, a seca do peixe ,o barco do Ilídio quando voltava da faina e que nós tanto gostávamos de ir esperar na praia, as sete saias da Leonor que ela tão primorosamente ajeitava e dos pregões que no final da tarde se ouviam na lota e que alimentavam a curiosidade dos que por ali passavam.
Ai Nazaré daqueles tempos tão afastados mas tão próximos do meu coração!
Subimos ao Sítio e veio mais uma vez a lenda de Fuas Roupinho já contada a alunos e netos.
Entrámos na belíssima igreja de Nossa Senhora da Nazaré onde ajoelha esta gente simples numa homenagem de vida de riscos, de sofrimento e lágrimas.
Sentados na esplanada espraiámos o olhar sobre aquela imensidão de azul salpicada de prata.
A tranquilidade daquele entardecer de domingo com a beleza pujante do cenário de uma praia de gente e de cor, sob um pôr do sol quase mágico, deixou-me completa.
A viagem a Fátima ficou adiada mas, a menina varina de canastra à cabeça acompanhou-me no regresso a casa.
Maria Manuela