terça-feira, 26 de setembro de 2017

Gosto de viajar...



Gosto de viajar no Outono porque tudo está mais calmo e a natureza proporciona-nos cores quentes e deslumbrantes que nos despertam os sentidos.

Viajar faz bem à saúde e ao espírito. Abre-nos novos horizontes , aproxima-nos, ajuda-nos a entender as diferenças e a compreendermos melhor os outros.

Foi numa viagem ao Porto integrada num roteiro fotográfico organizado pelo professor da disciplina de Fotografia da Universidade Sénior de Torres Vedras - AUTITV  que eu vivi uma aventura que me deixou realizada.


Saí cedinho com o fresco da manhã a tocar-me no rosto e a despertar-me de uma noite mal dormida pela ansiedade da partida.

Chegámos à bela cidade Invicta e visitámos  o Centro Português de Fotografia instalado no Edifício da Antiga Cadeia da Relação mandado construir por Filipe II de Espanha, I de Portugal e que chegou a albergar cerca de 500 reclusos. O escritor Camilo Castelo Branco e a sua companheira Ana Plácido estiveram encarcerados nesta prisão  por crime de adultério. Visitámos com  agrado todos os espaços possíveis.

O edifício para a sua actual utilização sofreu obras de restauro e arranjos dos  arquitectos Eduardo Souto Moura e Humberto Vieira.

Caminhámos pela cidade, fotografámos a Casa onde nasceu o escritor Almeida Garrett  e entrámos na estação de São Bento, onde observámos os belos painéis de azulejos de  que está revestida.


Almoçámos na Avenida dos Aliados com as suas árvores engalanadas com as quentes cores do Outono e, sempre a pé, atravessámos a magnífica ponte D. Luís de onde desfrutámos a beleza das margens ribeirinhas.


Estávamos no entardecer  de um Porto deslumbrante  de uma serena beleza.  Parei emocionada e agradeci ao Criador a simplicidade de tamanha grandeza.


Senti-me agraciada e penso que todos os companheiros seniores foram tocados pelo mesmo sentimento.



Houve partilha, cultura, emoção e aventura numa viagem que parecia à partida de dificil execução.

Obrigada a todos os que se empenharam para nos proporcionarem este desafio. E,  para os que o viveram como uma proeza alcançada, atrevo-me a citar:

Albert Camus  : "No coração do Inverno aprendi, finalmente, que, dentro de mim, dormia um verão invencível"

domingo, 24 de setembro de 2017

O meu Outono em aguarela

Outono  (aguarela)

Naquela tarde de Outono estava terrivelmente nostálgica e ocorreu-me pintar.

Peguei nas tintas e pincéis e comecei a divagar...

Na minha mente foram surgindo imagens de outros outonos vividos e o pincel foi dando forma e alma ao meu sentir.

As árvores de folhas multicoloridas queimadas pelo sol de Verão deixaram-me solta. Arrastei os pés sobre o tapete macio e estaladiço da folhagem caída e voltei a ser criança.

Corri ao encontro da brisa e, parei extasiada junto do regato que deslizava por entre as pedras.

De pés descalços senti a frescura da água e  o chilrear dos passarinhos.  Então parei...

O pedaço de papel de 25x25 estava pintado. Olhei e vi uma paisagem outonal. Se está bem? Não sei!

Mas sei que este outono veio aquecer, por momentos, o outono da minha vida e fez-me lembrar que não há limites, não há barreiras para a nossa imaginação, para a nossa criatividade... apenas temos de usar a vontade de vencer o medo que nos impede de ter confiança em nós próprios e sobretudo,
Acreditar.

sábado, 23 de setembro de 2017

Poemas

Mar Sonoro

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. 
A tua beleza aumenta quando estamos sós .

E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.

Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

                     (Sophia de Mello Breyner Andersen) 




Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impurezas,

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo  apaixonadamente

Encontra a própria liberdade 
.

            Sophia de Mello Breyner Andersen



quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A força da onda



           Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

                    (Fernando Pessoa, in Mensagem)




Fernando Pessoa foi um dos mais importantes escritores e poetas do modernismo em Portugal. 

Nasceu  a 13 de Junho de 1888, em Lisboa e morreu a 30 de Novembro de 1935.

"Mar Português" é o  mais conhecido dos poemas do seu livro "Mensagem"

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Aguarela



A aguarela é uma forma de pintar que nos deixa maravilhados pela sua imprevisibilidade. A tinta

 seca ou alastra mas a casualidade  do produto final atrai-nos e entusiasma-nos com a transparência

e a luminosidade das cores.

Uma boa aguarela depende muito do papel a utilizar porque este influencia a forma como a tinta irá

reagir. A aguada espalha-se rapidamente e é necessário destreza manual para acompanhar a fluidez

do momento.

Pessoalmente o que me encanta na aguarela é o seu carácter imprevisível e poder encontrar, mesmo 

com o risco de perder a pintura, o caminho para obter um trabalho que me surpreenda e que me

 faça questionar.

A aguarela é um jogo subtil de cores em que o pintor sairá vencido ou vencedor!





Momentos sentidos


Aguarela






Embate  (aguarela)





Entardecer em Santa Cruz (aguarela)





A gruta   (Aguarela)




terça-feira, 5 de setembro de 2017

Prenúncio de tempestade sobre o mar de Santa Cruz



Santa Cruz  (Aguarela )

O estímulo para pintar...


Com seis anos gostava de pegar nos lápis de cor que recebia pelo Natal e desenhava tudo o que a minha pouca idade me permitia.
Quando viajava de camioneta para a aldeia onde viviam os meus avós, com o dedito contornava os montes, desenhava as árvores e seguia o esvoaçar dos pássaros.
Na areia do quintal ou na praia com um pauzito na mão, ou com uma concha, rabiscava traços que identificava com imagens que ia registando na memória.
O tempo passou e, já na escola, sentia necessidade de ilustrar tudo o que escrevia.
Como professora, penso que incuti nos meus alunos o gosto pelo belo, levando-os a apreciar a natureza e a transmitirem para o papel os traços e as cores.
Antes de me aposentar adoeci e a tristeza que em menina, muitas vezes me assaltava voltou.
Conheci uma médica que me incentivou a pintar.  Naquele dia olhou-me com os seus grandes olhos cor de violeta e pediu-me que lhe pintasse qualquer coisa para lhe oferecer. Fiquei pasmada com o pedido feito com tanta veemência e ao mesmo tempo receosa de não conseguir corresponder à confiança que parecia depositar nas minhas fracas capacidades.
Levei dias a tentar descortinar o que lhe havia de levar. Procurei alguns trabalhos que tinha pintado através de postais mas nada me agradava.  Um dia, resolvi comprar um estojo com tintas e pincéis e aventurei-me.
No dia da consulta levei alguns trabalhos para escolha. A doutora olhou, voltou a olhar e decidida disse: "Fico com este".
Era uma bailarina  com sapatinhos de ballet e de vestido que parecia esvoaçar, pintada de  cores suaves mas alegres, cheias de luz, como só a aguarela consegue fazer transparecer.
Admirou-me a escolha até porque o castelo de Almourol ou o de Lisboa pareciam-me mais perfeitos.
Aquela bailarina tinha os braços pequeninos, desproporcionados em relação ao corpo. Não entendi...
-Doutora, repare nos braços, não estão pequenos?
-Mas, minha filha, desenhou umas pequenas asas.  Cortaram-lhe os braços mas tem asas para voar. 
Deixe de pintar castelos, não se esconda, não se feche. Olhe à sua volta e pinte ...
A partir daí comecei a pintar...


Homenagem singela a uma grande Senhora - Drª Gracinda de Jesus Silva que já partiu.




sábado, 2 de setembro de 2017

Um Homem Bom...



Faleceu no dia 29 de Agosto, o Presidente da Assembleia Geral da AUTITV,  doutor Alberto Manuel Avelino.
Foi , entre outros cargos, Presidente da Câmara de Torres Vedras, Governador Civil do distrito de Lisboa, deputado à Assembleia da República e Presidente da Assembleia Municipal de Torres Vedras.
É inegável que foi uma figura de vulto no serviço à comunidade mas, sobretudo fê-lo, com a simplicidade de um Homem  Bom como o referenciou o Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom  Manuel Clemente, na Missa fúnebre.

Para a Universidade Sénior  fica a imagem do professor e
do Presidente da Mesa da Assembleia Geral  como um humanista, sempre pronto nos conselhos e nos consensos.
A AUTITV ficou mais pobre. Perdeu um grande Amigo. 
Descanse em paz!