terça-feira, 8 de julho de 2025

Depressão sobre o mar -- Aguarela

Depressão sobre o mar

Aguarela da autoria de Maria Manuela Estêvão
Exposição no Piso 2 da Galeria Municipal  Paços do Concelho em Torres Vedras
9 de Fevereiro a 9 de Março de 2008

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Mudança...


 

Mudança...


Durante o tempo do confinamento mudámo-nos para a casa do Paúl para estarmos mais em contacto com a Natureza

A tendência geral era, dentro das possibilidades de cada um, procurar locais menos frequentados e com espaços de quintal para se "fugir" um pouco ao isolamento provocado pela actual situação.

A necessidade de liberdade e o pensamento de que tudo é transitório e susceptível de mudança, levou-me a abstrair e desejar focar-me mais naquilo que deixei pendente e que agora era necessário concluir.

Comecei por me dedicar a plantar flores, a embelezar cantos e recantos, cuidar das árvores e olhar para a sua evolução até ao amadurecer dos frutos, ler e descansar ao som dos chilreios da passarada.  

Em casa, mudaram-se algumas peças de decoração, encontraram-se outras que estavam no fundo do baú e que nos trouxeram memórias que foi bom trazer de volta e relembraram-se hábitos e gostos que se julgavam esquecidos.

Foi agradável sentir que o tempo passou, mas não nos deixou mágoas e que a vida em cada dia, tem o valor que lhe queremos dar. É este o  investimento que procuro para o futuro.



























quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Origens


                                          Origens     


Nos fundamentos da Terra há sofrimento e revolta.

Os elementos entrechocam-se e soltam bramidos de raiva e dor.

O Homem ficou surdo na sua sensibilidade e egoísmo. 

Amar, este planeta que graciosamente habitamos, será a palavra de 

ordem. 

Ainda vamos a tempo de o salvar. 

Tudo pode mudar!



                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               

                                                                   

                                                                           Aguarela

Tempo incerto.


Tempo incerto



Em Março de 2020 sob a ameaça, a nível global, de uma pandemia,  fecharam-se escolas, estabelecimentos comerciais, instituições públicas e privadas, fábricas, e a população ficou confinada em suas casas para evitar a propagação catastrófica do vírus.
Foram momentos de dúvidas e receios, partilhados pela incerteza,  que levaram as pessoas a respeitarem com expectativa as informações da DGS, dos cientistas, dos médicos e dos políticos que entravam em nossas casas pelas televisões e rádios, na ânsia de 
nos darem conhecimentos do que se passava no país e no resto do mundo.
As ruas estavam desertas, havia um silêncio que incomodava e a insegurança do imprevisível era manifestamente perturbador.
Os canais de televisão mostravam estatísticas diárias, debates dos acontecimentos mais recentes e especulava-se sobre a descoberta da tão desejada vacina libertadora que ainda não surgiu.
Voltaram os relatos de situações vividas há cem anos durante o aparecimento da pneumónica e, era aterrador porque a maioria das 
famílias a sentiram, na pele, através de um familiar ou amigo.
Era impensável imaginar que uma situação destas pudesse vir a acontecer na actualidade, uma vez que, a medicina, as tecnologias avançadas e as pesquisas constantes nunca o permitiriam.
Surgiram teorias, acusações, fanatismo espiritual e político para justificar o aparecimento tão obscuro, do vírus que se sobrepôs a todas as forças e poderes.
Aí, o Homem parou e com ele todas as actividades a que estava ligado.
Aí, o Homem olhou à sua volta e reconsiderou...

(E ... até quando?)
 

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Contemplação









Tarde de Inverno de um dia cinzento com várias transformações climáticas ao longo do dia.
Saio, não saio, estou com um pé dentro e outro fora.
Deixo-me arrastar por esta lassidão que me tolhe a vontade de sair.
Vou ao terraço e observo o mar, o céu, o casario e, as gaivotas que sobrevoam a minha casa, a caminho dos seus abrigos porque a noite já está anunciada.









O ambiente estava impregnado da salinidade do mar.
Aquele cheiro revigorante, entrava-me pelas narinas, como de um aerossol se tratasse.











O Sol irrompeu por entre as nuvens e iluminou o céu de Santa Cruz, mostrando uma vez mais, toda a beleza de um pôr do sol que nos deslumbra.

Parece que, antes do dia terminar, ele vem alegrar-nos com a sua presença, mostrando-nos a diversidade criativa do seu recolher.
São momentos belos  que  um fotógrafo ou um pintor não se recusará a registar.







A noite caiu, as luzes iluminaram a aldeia e a praia, o céu na linha do horizonte, pintou-se de vermelho com a saída do Sol e, em silêncio, ficaram as nuvens e o mar. 


Recordando os céus de Santa Cruz



Naquela tarde chuvosa e trovejada, de 26 de Janeiro, o céu apresentava-se com densas nuvens escuras e nada fazia prever que pudesse haver qualquer outra alteração.
Para desanuviar um pouco a tensão acumulada, caminhei sob aquele céu maravilhoso, e fui testemunha da sua quase mística mudança.




Descortinavam-se, aqui e ali, algumas aberturas que deixavam a descoberto um céu azul que teimava em aparecer e,  já na  linha do
horizonte,  surgia uma luminosidade que procurava afastar as nuvens.





Finalmente o Sol conseguiu romper e, com todo o esplendor, iluminou aquele fim de tarde que não se previa ter desfecho tão feliz.









O Sol surgiu por instantes, espelhou-se nas águas do mar, mesmo ali, na praia Formosa e ficou a deleitar-se no vaivém das ondas que o traziam até à areia.








A sua aparição foi muito fugaz.
Na linha do horizonte escondeu-se mas não sem deixar a esperança
de um alegre amanhecer.
  

terça-feira, 10 de março de 2020

Amizade


                                                     Amizade

A amizade é um sentimento que une as pessoas. É um sentimento de liberdade, revestido de amor, compreensão e caridade. 

A amizade é disponível, não tem horários. Chega quando necessitam dela, sabe ouvir e interpretar os silêncios.

Às vezes não é lisonjeira, até parece cruel, mas é verdadeira.
E os verdadeiros amigos trazem a alegria que faz bem à saúde.

A amizade verdadeira é abrangente, isenta e serena.
Ela revela o rosto amoroso de Deus.

O livro "Nenhum Caminho será Longo" de José Tolentino Mendonça fala-nos do verdadeiro significado da Amizade e do respeito pelo outro. 
É um livro para analisar e saborear calmamente cada citação.   

Atrevo-me a transcrever parte da página 111 -" Um Amigo é uma Testemunha."

"Nós somos feitos de tempo; somos amassados de argila do tempo; somos feitos de idades, de estações, de horas, de dias; somos feitos de cronometrias, isto é, de medições de tempo visíveis e invisíveis.
De facto, tudo o que é humano é feito de tempo; somos um reservatório de tempo; lençóis de tempo que se vão acumulando. Para dizer numa palavra - somos duração."

Achei muito bela esta estratificação de tempo de que somos feitos. E mais adiante diz-nos:

"Muitas vezes, quando vamos ao encontro do nosso rosto, sentimos com surpresa que passou um tempo ... , nomear o espanto de,    tantas vezes, sermos uns completos estranhos para nós mesmos. Quando eu me vejo, quem vejo? Quando eu me olho, é a mim mesmo que observo? Esta pessoa que eu tinha a certeza de conhecer muito bem, com uma estabilidade inquestionável- eu sou isto, eu sou aquilo,- percebo-a agora em mutação, pois cada um de nós é um fluxo, uma viagem, um projecto aberto, uma epifania inacabada."

É um livro que aborda a amizade como um sentimento e uma experiência humana e que recorre a citações envolvendo a cultura, espiritualidade, antropologia e passagens da Bíblia. 
Gostei muito de o ler e recomendo-o vivamente.