quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Origens


                                          Origens     


Nos fundamentos da Terra há sofrimento e revolta.

Os elementos entrechocam-se e soltam bramidos de raiva e dor.

O Homem ficou surdo na sua sensibilidade e egoísmo. 

Amar, este planeta que graciosamente habitamos, será a palavra de 

ordem. 

Ainda vamos a tempo de o salvar. 

Tudo pode mudar!



                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               

                                                                   

                                                                           Aguarela

Tempo incerto.


Tempo incerto



Em Março de 2020 sob a ameaça, a nível global, de uma pandemia,  fecharam-se escolas, estabelecimentos comerciais, instituições públicas e privadas, fábricas, e a população ficou confinada em suas casas para evitar a propagação catastrófica do vírus.
Foram momentos de dúvidas e receios, partilhados pela incerteza,  que levaram as pessoas a respeitarem com expectativa as informações da DGS, dos cientistas, dos médicos e dos políticos que entravam em nossas casas pelas televisões e rádios, na ânsia de 
nos darem conhecimentos do que se passava no país e no resto do mundo.
As ruas estavam desertas, havia um silêncio que incomodava e a insegurança do imprevisível era manifestamente perturbador.
Os canais de televisão mostravam estatísticas diárias, debates dos acontecimentos mais recentes e especulava-se sobre a descoberta da tão desejada vacina libertadora que ainda não surgiu.
Voltaram os relatos de situações vividas há cem anos durante o aparecimento da pneumónica e, era aterrador porque a maioria das 
famílias a sentiram, na pele, através de um familiar ou amigo.
Era impensável imaginar que uma situação destas pudesse vir a acontecer na actualidade, uma vez que, a medicina, as tecnologias avançadas e as pesquisas constantes nunca o permitiriam.
Surgiram teorias, acusações, fanatismo espiritual e político para justificar o aparecimento tão obscuro, do vírus que se sobrepôs a todas as forças e poderes.
Aí, o Homem parou e com ele todas as actividades a que estava ligado.
Aí, o Homem olhou à sua volta e reconsiderou...

(E ... até quando?)
 

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Contemplação









Tarde de Inverno de um dia cinzento com várias transformações climáticas ao longo do dia.
Saio, não saio, estou com um pé dentro e outro fora.
Deixo-me arrastar por esta lassidão que me tolhe a vontade de sair.
Vou ao terraço e observo o mar, o céu, o casario e, as gaivotas que sobrevoam a minha casa, a caminho dos seus abrigos porque a noite já está anunciada.









O ambiente estava impregnado da salinidade do mar.
Aquele cheiro revigorante, entrava-me pelas narinas, como de um aerossol se tratasse.











O Sol irrompeu por entre as nuvens e iluminou o céu de Santa Cruz, mostrando uma vez mais, toda a beleza de um pôr do sol que nos deslumbra.

Parece que, antes do dia terminar, ele vem alegrar-nos com a sua presença, mostrando-nos a diversidade criativa do seu recolher.
São momentos belos  que  um fotógrafo ou um pintor não se recusará a registar.







A noite caiu, as luzes iluminaram a aldeia e a praia, o céu na linha do horizonte, pintou-se de vermelho com a saída do Sol e, em silêncio, ficaram as nuvens e o mar. 


Recordando os céus de Santa Cruz



Naquela tarde chuvosa e trovejada, de 26 de Janeiro, o céu apresentava-se com densas nuvens escuras e nada fazia prever que pudesse haver qualquer outra alteração.
Para desanuviar um pouco a tensão acumulada, caminhei sob aquele céu maravilhoso, e fui testemunha da sua quase mística mudança.




Descortinavam-se, aqui e ali, algumas aberturas que deixavam a descoberto um céu azul que teimava em aparecer e,  já na  linha do
horizonte,  surgia uma luminosidade que procurava afastar as nuvens.





Finalmente o Sol conseguiu romper e, com todo o esplendor, iluminou aquele fim de tarde que não se previa ter desfecho tão feliz.









O Sol surgiu por instantes, espelhou-se nas águas do mar, mesmo ali, na praia Formosa e ficou a deleitar-se no vaivém das ondas que o traziam até à areia.








A sua aparição foi muito fugaz.
Na linha do horizonte escondeu-se mas não sem deixar a esperança
de um alegre amanhecer.
  

terça-feira, 10 de março de 2020

Amizade


                                                     Amizade

A amizade é um sentimento que une as pessoas. É um sentimento de liberdade, revestido de amor, compreensão e caridade. 

A amizade é disponível, não tem horários. Chega quando necessitam dela, sabe ouvir e interpretar os silêncios.

Às vezes não é lisonjeira, até parece cruel, mas é verdadeira.
E os verdadeiros amigos trazem a alegria que faz bem à saúde.

A amizade verdadeira é abrangente, isenta e serena.
Ela revela o rosto amoroso de Deus.

O livro "Nenhum Caminho será Longo" de José Tolentino Mendonça fala-nos do verdadeiro significado da Amizade e do respeito pelo outro. 
É um livro para analisar e saborear calmamente cada citação.   

Atrevo-me a transcrever parte da página 111 -" Um Amigo é uma Testemunha."

"Nós somos feitos de tempo; somos amassados de argila do tempo; somos feitos de idades, de estações, de horas, de dias; somos feitos de cronometrias, isto é, de medições de tempo visíveis e invisíveis.
De facto, tudo o que é humano é feito de tempo; somos um reservatório de tempo; lençóis de tempo que se vão acumulando. Para dizer numa palavra - somos duração."

Achei muito bela esta estratificação de tempo de que somos feitos. E mais adiante diz-nos:

"Muitas vezes, quando vamos ao encontro do nosso rosto, sentimos com surpresa que passou um tempo ... , nomear o espanto de,    tantas vezes, sermos uns completos estranhos para nós mesmos. Quando eu me vejo, quem vejo? Quando eu me olho, é a mim mesmo que observo? Esta pessoa que eu tinha a certeza de conhecer muito bem, com uma estabilidade inquestionável- eu sou isto, eu sou aquilo,- percebo-a agora em mutação, pois cada um de nós é um fluxo, uma viagem, um projecto aberto, uma epifania inacabada."

É um livro que aborda a amizade como um sentimento e uma experiência humana e que recorre a citações envolvendo a cultura, espiritualidade, antropologia e passagens da Bíblia. 
Gostei muito de o ler e recomendo-o vivamente.







quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Ludwig van Beethoven


                                                                   

                                                                   
         



Ludwig van Beethoven é considerado um dos pilares da música clássica ocidental. Compositor e pianista criou obras maravilhosas que foram reproduzidas por orquestras de todo o mundo.
Nasceu em Dezembro de 1770 na Alemanha e faleceu a 26 de Março de 1827, em Viena de Áustria.
Atacado por uma surdez que os médicos não conseguiam tratar começou a isolar-se, entrou em depressões constantes e o seu carácter passou a ser de uma pessoa irascível e nada sociável. 
Mudou-se a conselho do médico para Heiligenstadt e, em 1802, desgostoso pela surdez que o impedia de ouvir os sons dos instrumentos e até os da natureza, resolveu pôr termo à vida tentando o suicídio.
Escreveu uma " carta testamento" aos dois irmãos explicando o motivo que o levava a tão angustiante decisão.
Esta carta foi encontrada numa gaveta da sua secretária já depois da sua morte.
Mas a arte foi mais forte e, o desejo de testemunhar ao mundo o que sentia, levou-o a compor com mais ardor.
Depois do testamento de Heiligenstadt, escrito em 6 de Outubro de 1802, escreveu já quase sem ouvir nada as melhores obras, entre elas a Sinfonia nº 3, "Eroica", considerada a sua primeira obra monumental.
Compôs concertos para piano e violino; sonatas para piano, violino e violoncelo, a famosa Missa Solene e também a Ópera Fidelio.
Das várias sinfonias, a "Nona" foi a que mais o consagrou. 
Beethoven foi sempre condicionado pelo equilíbrio, pelo amor à Natureza e ideais humanitários. Foi considerado um poeta músico.
A Autitv no dia 30 de Janeiro, teve oportunidade de apreciar o maravilhoso Concerto da Orquestra Gulbenkian, dedicado a Ludwig van Beethoven.
O programa iniciou com a Abertura Leonore III, em movimento Adágio - Allegro, composta em 1806.
A Sinfonia nº 8, em Fá maior, op.93, e o Concerto para Piano e Orquestra nº5, em Mi bemol maior, op.73, popularmente conhecido por Concerto do Imperador que foi escrito entre 1809 e 1811 em Viena e dedicado ao Arquiduque Rudolf seu patrono.
 A Orquestra da Gulbenkian foi magistralmente dirigida pelo Maestro Jaime Martin que ocupa o lugar de Director Musical da Orquestra de Câmara de Los Angeles.
O pianista russo, Alexei Volodin foi entusiasticamente aplaudido pela sua belíssima interpretação no Concerto para Piano nº5. 
Foi uma noite em que a cultura musical a todos envolveu, deixando-nos de espírito mais leve. 
Ao Dr. José Travanca os nossos agradecimentos pela sua prestimosa colaboração.    


                     





segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Poema




Aguarela






      O mar dos meus olhos


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma 


E trazem a poeira nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma


             Sophia de Mello Breyner Andresen, in  Obra Poética