domingo, 14 de janeiro de 2018

Os meus progenitores e o após guerra.


Estávamos em 1948 e embora a 2ª Grande Guerra Mundial tivesse terminado havia três anos, ainda se sentiam os seus efeitos nos rostos e nos corações das pessoas.
A fase era de mudança e surge neste ano bissexto a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Havia necessidade de aprender com os erros e de mudar comportamentos e mentalidades.
Falava-se de Churchill e de Péron, lamentava-se a morte do líder espiritual activista dos direitos indianos, Mahatma Gandhi que fora assassinado em Nova Dili.
Em Portugal vivia-se a República com Marechal Carmona e Salazar no Governo.
E foi na manhã de uma 4ª Feira deste ano de 1948, mais precisamente a 27 de Outubro que eu nasci.
Os meus pais Manuel e Rosária eram um casal jovem com 25 e 22 anos respectivamente.
Viveram e casaram na aldeia de Pinheiro Grande, aldeia pequena do Ribatejo e foram viver para Lisboa porque o meu pai tinha sido destacado para o Quartel do Carmo.
Era G.N.R. e exibia a sua farda com galhardia e a minha mãe morria de amores por ele.



Também neste ano de 1948 nasceram o nosso Eminente Cardeal Patriarca , Senhor Dom Manuel Clemente, em Torres Vedras e o Nosso Presidente da República Portuguesa, o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, em Lisboa. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Tudo passa...




Tudo passa... Tudo é efémero! O que foi ontem já não é mais! E nós somos peças desta engrenagem que é o tempo.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Sol de Inverno



Caminhando num dia de Inverno com uns ténues raios de sol a esgueirarem-se por entre os ramos das árvores despidos de folhas, fui trauteando a canção "Sol de Inverno" de Simone de Oliveira que representou Portugal no Festival da Eurovisão em 1965.


Olhei as árvores nuas que pacientemente vão resistindo à passagem do tempo. Sofrem transformações, robustecem-se e com firmeza vão melhorando e embelezando a Natureza.


Por analogia pensei no meu pai.
Pensei no meu velhinho de 94 anos que resistindo a tantas vicissitudes continua a lutar para viver. Tenho aprendido muito com ele. A sua filosofia de vida é-me surpreendente.
Está acamado mas a sua cabeça leva-o a viajar aos locais que retém na sua memória. E como ele fica feliz quando nós o acompanhamos nessas divagações.    
Está no inverno da vida mas a vida ainda lhe traz algum fulgor porque o calor humano que ele sente no mimo que recebe, permite-  lhe ainda um testemunho de força como este: "Filha, ainda temos que saber aceitar e aproveitar aquilo que Deus nos quer dar."













         
 


                                            






É Natal! Boas Festas.


Santo Natal!




                                                            Presépio da minha lapinha




             Pórtico  sagrado  - Aguarela                 




É Natal ! Nasceu o Menino Jesus! -   Aguarela - O estábulo  


Natal da minha infância tão distante mas tão presente nas minhas memórias.
Busco no baú das recordações e revejo-me sentada na lareira alta da casa dos meus avós, no Ribatejo, a ouvir muito atenta as histórias que me contavam para alimentar a  curiosidade e ao mesmo tempo sossegar a inquietação provocada pela espera das prendas do Menino Jesus.
O lume crepitava e à luz do candeeiro a petróleo (não havia ainda electricidade no casal e na aldeia do Pinheiro Grande poucos a tinham), eu abria com esforço os olhos já pesados pelo sono e ouvia as histórias que o meu avô tão bem sabia contar. 
Cedo ia para a cama mas sem nunca esquecer o sapato bem engraxado na chaminé e de pedir a benção ao avô que respondia estendendo a mão que eu beijava: -" Deus te faça uma santinha".
Logo pela manhã espreitava a chaminé, algo receosa, não fosse o Menino Jesus ter-se esquecido da prenda.
E lá estavam os livros da colecção Formiguinha, os tachinhos e as panelinhas, a máquina de costura de lata ou a boneca de papelão. 
Era um encantamento. Naquela idade a  magia do Natal subsistia.
A família reunida, os doces da consoada, a partilha, os afectos, de manhã a missa de Natal com os fatos novos estreados.... Tudo era diferente, os cheiros, os sabores e até o frio era mais "frio"e o sol tinha mais brilho.      

sábado, 30 de dezembro de 2017

O Inverno chegou...


O Inverno chegou e foi visitar o mar...




E o mar ficou tão alterado que as ondas se revoltaram.



Naquele fim de tarde olhei-o com olhos de alma e sorri.

Como estava lindo o mar!



As ondas rugiam, chocavam sem permissão... espumavam de furor.
As cores misturavam-se ... no céu e no mar...


Olhei o céu e lá longe, no infinito, o sol brilhava timidamente por entre a densidade das nuvens.


Alheio a tudo, o mar bramia com a intensidade da revolta e, a minha luta amainou... serenou perante a maravilha de tão grandiosa força.


Naquele fim de tarde de Inverno, o Sol ousou romper as nuvens que teimosamente observavam lá do alto com olhar desafiante.




No céu surgem centenas de gaivotas voando indiferentes a caminho do abrigo... é hora de regressar!

Abrigos nas arribas são ninhos abertos a aves perdidas...Tudo se ajusta . A Natureza é pródiga! A  Natureza é sábia!
 Fica sempre a promessa de poder partir e poder voltar...


Repentinamente tudo se acalma! As ondas murmuram e beijam a areia da praia.


As gaivotas vindas não sei de onde, voam e aplanam sobre o mar. E, em voos rasgados vão sonhando e brincando com  liberdade, numa infinita paz... numa infinita harmonia.




E ... saio da minha contemplação e com as asas de gaivota voo na solidão daquele céu mesclado de cores e sorrio para o meu Mar...  



























sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Constância - Passeio às vivências do passado






Numas férias oferecemos um passeio aos netos Gonçalo e Lourenço e por consenso decidimos ir até Constância.
Almoçámos em Almeirim a famosa sopa da pedra e rumámos até à Golegã, capital do cavalo, para visitarmos o museu Carlos Relvas considerado um templo da fotografia mas que se encontrava encerrado.
Continuámos a viagem até Tancos e avistámos o lendário castelo de Almourol que ficou para visitar mais tarde com os pais e os irmãos.



Chegados a Constância passeámos pela agradável zona ribeirinha entre o Tejo e o Zêzere, caminhámos pelas ruelas estreitas e floridas e detivémo-nos perante a estátua de Camões, obra do escultor Mestre Lagoa Henriques.
Passámos pela casa onde Luís de Camões viveu entre 1547 e 1550 e subimos à Igreja Matriz para apreciarmos a pintura do tecto que simboliza a junção dos rios Tejo e Zêzere da autoria do pintor Malhoa.

  

Prosseguimos a viagem até Tancos civil e aí espraiei o meu olhar sobre as águas calmas do rio que me era tão familiar.
Na outra margem, a aldeia do Arripiado "encavalitada" na encosta deixava ver, com orgulho, a sua igreja rodeada das típicas casinhas contornadas a amarelo.

            


Pinheiro Grande fica um pouco mais à frente e era nesta pequena aldeia que os meus avós viviam. Para lá chegar tínhamos duas opções: ou atravessávamos o rio num pequeno barco ou demorávamos o triplo do tempo, com os seus custos porque naquele tempo, em que pouco se viajava, andar de camioneta era considerado um pequeno luxo.
Nesta última versão passávamos pelo Dique dos Vinte (que no tempo das cheias nem sempre era possível ) e pela ponte construída toda em ferro que recebeu o nome do seu impulsionador João Joaquim Isidro dos Reis.  Esta ponte com a extensão de 756m foi inaugurada em 1909 e veio provocar o desenvolvimento da região ligando a povoação de Chamusca à Golegã.




Terminámos o passeio em Tancos com um lanche no café, já modernizado, onde 60 anos atrás esperávamos o barco que nos levava para o Arripiado.
A vivência atribulada de uma passagem de barco durante o período
de cheias ficou para contar na viagem de regresso a casa.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Termas de Alcafache


Em tempo de férias é normal procurar-se um lugar diferente que nos ajude a retemperar forças e até a quebrar rotinas.
Foi com esta disponibilidade que resolvi descansar, alguns dias, nas Termas de Alcafache.
Tinham-me falado que eram óptimas águas para o sistema músculo-esquelético e que era o local ideal para recuperar energias.
Recolhi em Viseu informações sobre o alojamento e quando cheguei às termas alojei-me no pequeno hotel existente.


Estava um calor sufocante e ainda não tinha acabado de retirar a mala do carro, eis senão quando ribomba um forte trovão com queda de um raio.
Fiquei estarrecida e com vontade de recuar quando me disseram que há alguns dias, aquela, era já uma situação habitual.
Parecia que os elementos da Natureza tinham resolvido  unir-se para me darem as boas-vindas, mas da forma que eu menos desejava.
A chuva que caía com intensidade entretanto parou, e meia hora depois tudo era silêncio.
O calor acalmou e ficou o cheiro a terra molhada...
O passeio à pequena mata que ladeia o rio Dão era uma das minhas preferências.         



Logo pela manhã, quando o calor ainda se fazia sentir, como eu gostava de saltitar por cima das pedras que formam sinuosos caminhos escorregadios mas que eu, infantilmente, percorria com prazer.



Naquele recanto redescobri a Natureza no seu estado mais puro e fui ao encontro de memórias de um tempo que julgava esquecido.
Os cheiros da terra molhada, da água sulfurosa e da caruma que atapetava o caminho, trouxeram-me lembranças da minha infância... e senti-me feliz.




O silêncio só quebrado pelo voo de um pássaro, o estalar do ramo  pisado, as gargalhadas das crianças que despreocupadamente  
se banhavam no açude, a ponte romana, por onde passavam os carros que vinham da cidade, compunham o cenário ideal para repousar o corpo e a mente.



Fiquei completamente rendida pela tranquilidade que se respirava ali, pelas refeições pacatamente servidas sempre a horas, pelo sorriso da funcionária de farda  e avental bordado a Tibaldinho que com vantagem, me distanciavam das correrias e das esperas habituais nas mesas dos restaurantes.
Hei-de voltar um dia, se Deus quiser, quando sentir a necessidade de me deixar "mimar" pela pureza bucólica de Alcafache e pela simplicidade das pessoas que conheci.