Caminhando num dia de Inverno com uns ténues raios de sol a esgueirarem-se por entre os ramos das árvores despidos de folhas, fui trauteando a canção "Sol de Inverno" de Simone de Oliveira que representou Portugal no Festival da Eurovisão em 1965.
Olhei as árvores nuas que pacientemente vão resistindo à passagem do tempo. Sofrem transformações, robustecem-se e com firmeza vão melhorando e embelezando a Natureza.
Por analogia pensei no meu pai.
Pensei no meu velhinho de 94 anos que resistindo a tantas vicissitudes continua a lutar para viver. Tenho aprendido muito com ele. A sua filosofia de vida é-me surpreendente.
Está acamado mas a sua cabeça leva-o a viajar aos locais que retém na sua memória. E como ele fica feliz quando nós o acompanhamos nessas divagações.
Está no inverno da vida mas a vida ainda lhe traz algum fulgor porque o calor humano que ele sente no mimo que recebe, permite- lhe ainda um testemunho de força como este: "Filha, ainda temos que saber aceitar e aproveitar aquilo que Deus nos quer dar."
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