terça-feira, 8 de julho de 2025

CONCLUSÕES I

  A Vida é uma dádiva e uma benção que nos traz, em cada dia,  situações novas que devemos observar com os olhos da alma para não nos perdermos no emaranhado das emoções.E, a beleza está na forma como as vemos e as enfrentamos. Dificuldades sempre encontramos mas, a força que sentimos depois de as vencermos, deixam-nos mais robustecidos e preparados para darmos valor ao que temos e ao que somos para podermos sentir o privilégio de os receber.

Tudo o que necessitamos para viver está ao nosso alcance. Intuir, observar, ponderar e reflectir são práticas de amadurecimento que nos levam ao rumo certo. Trazem muitas frustrações também, mas os caminhos sinuosos quebram a monotonia e levam à individualidade do ser e a uma adaptação, mais consciente, da comunidade onde nos inserimos. 

Hoje, com esta nova perspectiva, vejo as situações  menos agradáveis contornadas com mais suavidade e, com outra percepção, consigo mais fácilmente atingir o grau de satisfação que considero suficiente  

Desta forma sinto que, as aprendizagens dos avanços e recuos, moldam o meu carácter e permitem-me  encarar melhor a realidade com a sabedoria do conhecimento. 


    

Depressão sobre o mar -- Aguarela

Depressão sobre o mar

Aguarela da autoria de Maria Manuela Estêvão
Exposição no Piso 2 da Galeria Municipal  Paços do Concelho em Torres Vedras
9 de Fevereiro a 9 de Março de 2008

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Mudança...


 

Mudança...


Durante o tempo do confinamento mudámo-nos para a casa do Paúl para estarmos mais em contacto com a Natureza

A tendência geral era, dentro das possibilidades de cada um, procurar locais menos frequentados e com espaços de quintal para se "fugir" um pouco ao isolamento provocado pela actual situação.

A necessidade de liberdade e o pensamento de que tudo é transitório e susceptível de mudança, levou-me a abstrair e desejar focar-me mais naquilo que deixei pendente e que agora era necessário concluir.

Comecei por me dedicar a plantar flores, a embelezar cantos e recantos, cuidar das árvores e olhar para a sua evolução até ao amadurecer dos frutos, ler e descansar ao som dos chilreios da passarada.  

Em casa, mudaram-se algumas peças de decoração, encontraram-se outras que estavam no fundo do baú e que nos trouxeram memórias que foi bom trazer de volta e relembraram-se hábitos e gostos que se julgavam esquecidos.

Foi agradável sentir que o tempo passou, mas não nos deixou mágoas e que a vida em cada dia, tem o valor que lhe queremos dar. É este o  investimento que procuro para o futuro.



























quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Origens


                                          Origens     


Nos fundamentos da Terra há sofrimento e revolta.

Os elementos entrechocam-se e soltam bramidos de raiva e dor.

O Homem ficou surdo na sua sensibilidade e egoísmo. 

Amar, este planeta que graciosamente habitamos, será a palavra de 

ordem. 

Ainda vamos a tempo de o salvar. 

Tudo pode mudar!



                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               

                                                                   

                                                                           Aguarela

Tempo incerto.


Tempo incerto



Em Março de 2020 sob a ameaça, a nível global, de uma pandemia,  fecharam-se escolas, estabelecimentos comerciais, instituições públicas e privadas, fábricas, e a população ficou confinada em suas casas para evitar a propagação catastrófica do vírus.
Foram momentos de dúvidas e receios, partilhados pela incerteza,  que levaram as pessoas a respeitarem com expectativa as informações da DGS, dos cientistas, dos médicos e dos políticos que entravam em nossas casas pelas televisões e rádios, na ânsia de 
nos darem conhecimentos do que se passava no país e no resto do mundo.
As ruas estavam desertas, havia um silêncio que incomodava e a insegurança do imprevisível era manifestamente perturbador.
Os canais de televisão mostravam estatísticas diárias, debates dos acontecimentos mais recentes e especulava-se sobre a descoberta da tão desejada vacina libertadora que ainda não surgiu.
Voltaram os relatos de situações vividas há cem anos durante o aparecimento da pneumónica e, era aterrador porque a maioria das 
famílias a sentiram, na pele, através de um familiar ou amigo.
Era impensável imaginar que uma situação destas pudesse vir a acontecer na actualidade, uma vez que, a medicina, as tecnologias avançadas e as pesquisas constantes nunca o permitiriam.
Surgiram teorias, acusações, fanatismo espiritual e político para justificar o aparecimento tão obscuro, do vírus que se sobrepôs a todas as forças e poderes.
Aí, o Homem parou e com ele todas as actividades a que estava ligado.
Aí, o Homem olhou à sua volta e reconsiderou...

(E ... até quando?)
 

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Contemplação









Tarde de Inverno de um dia cinzento com várias transformações climáticas ao longo do dia.
Saio, não saio, estou com um pé dentro e outro fora.
Deixo-me arrastar por esta lassidão que me tolhe a vontade de sair.
Vou ao terraço e observo o mar, o céu, o casario e, as gaivotas que sobrevoam a minha casa, a caminho dos seus abrigos porque a noite já está anunciada.









O ambiente estava impregnado da salinidade do mar.
Aquele cheiro revigorante, entrava-me pelas narinas, como de um aerossol se tratasse.











O Sol irrompeu por entre as nuvens e iluminou o céu de Santa Cruz, mostrando uma vez mais, toda a beleza de um pôr do sol que nos deslumbra.

Parece que, antes do dia terminar, ele vem alegrar-nos com a sua presença, mostrando-nos a diversidade criativa do seu recolher.
São momentos belos  que  um fotógrafo ou um pintor não se recusará a registar.







A noite caiu, as luzes iluminaram a aldeia e a praia, o céu na linha do horizonte, pintou-se de vermelho com a saída do Sol e, em silêncio, ficaram as nuvens e o mar. 


Recordando os céus de Santa Cruz



Naquela tarde chuvosa e trovejada, de 26 de Janeiro, o céu apresentava-se com densas nuvens escuras e nada fazia prever que pudesse haver qualquer outra alteração.
Para desanuviar um pouco a tensão acumulada, caminhei sob aquele céu maravilhoso, e fui testemunha da sua quase mística mudança.




Descortinavam-se, aqui e ali, algumas aberturas que deixavam a descoberto um céu azul que teimava em aparecer e,  já na  linha do
horizonte,  surgia uma luminosidade que procurava afastar as nuvens.





Finalmente o Sol conseguiu romper e, com todo o esplendor, iluminou aquele fim de tarde que não se previa ter desfecho tão feliz.









O Sol surgiu por instantes, espelhou-se nas águas do mar, mesmo ali, na praia Formosa e ficou a deleitar-se no vaivém das ondas que o traziam até à areia.








A sua aparição foi muito fugaz.
Na linha do horizonte escondeu-se mas não sem deixar a esperança
de um alegre amanhecer.
  

terça-feira, 10 de março de 2020

Amizade


                                                     Amizade

A amizade é um sentimento que une as pessoas. É um sentimento de liberdade, revestido de amor, compreensão e caridade. 

A amizade é disponível, não tem horários. Chega quando necessitam dela, sabe ouvir e interpretar os silêncios.

Às vezes não é lisonjeira, até parece cruel, mas é verdadeira.
E os verdadeiros amigos trazem a alegria que faz bem à saúde.

A amizade verdadeira é abrangente, isenta e serena.
Ela revela o rosto amoroso de Deus.

O livro "Nenhum Caminho será Longo" de José Tolentino Mendonça fala-nos do verdadeiro significado da Amizade e do respeito pelo outro. 
É um livro para analisar e saborear calmamente cada citação.   

Atrevo-me a transcrever parte da página 111 -" Um Amigo é uma Testemunha."

"Nós somos feitos de tempo; somos amassados de argila do tempo; somos feitos de idades, de estações, de horas, de dias; somos feitos de cronometrias, isto é, de medições de tempo visíveis e invisíveis.
De facto, tudo o que é humano é feito de tempo; somos um reservatório de tempo; lençóis de tempo que se vão acumulando. Para dizer numa palavra - somos duração."

Achei muito bela esta estratificação de tempo de que somos feitos. E mais adiante diz-nos:

"Muitas vezes, quando vamos ao encontro do nosso rosto, sentimos com surpresa que passou um tempo ... , nomear o espanto de,    tantas vezes, sermos uns completos estranhos para nós mesmos. Quando eu me vejo, quem vejo? Quando eu me olho, é a mim mesmo que observo? Esta pessoa que eu tinha a certeza de conhecer muito bem, com uma estabilidade inquestionável- eu sou isto, eu sou aquilo,- percebo-a agora em mutação, pois cada um de nós é um fluxo, uma viagem, um projecto aberto, uma epifania inacabada."

É um livro que aborda a amizade como um sentimento e uma experiência humana e que recorre a citações envolvendo a cultura, espiritualidade, antropologia e passagens da Bíblia. 
Gostei muito de o ler e recomendo-o vivamente.







quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Ludwig van Beethoven


                                                                   

                                                                   
         



Ludwig van Beethoven é considerado um dos pilares da música clássica ocidental. Compositor e pianista criou obras maravilhosas que foram reproduzidas por orquestras de todo o mundo.
Nasceu em Dezembro de 1770 na Alemanha e faleceu a 26 de Março de 1827, em Viena de Áustria.
Atacado por uma surdez que os médicos não conseguiam tratar começou a isolar-se, entrou em depressões constantes e o seu carácter passou a ser de uma pessoa irascível e nada sociável. 
Mudou-se a conselho do médico para Heiligenstadt e, em 1802, desgostoso pela surdez que o impedia de ouvir os sons dos instrumentos e até os da natureza, resolveu pôr termo à vida tentando o suicídio.
Escreveu uma " carta testamento" aos dois irmãos explicando o motivo que o levava a tão angustiante decisão.
Esta carta foi encontrada numa gaveta da sua secretária já depois da sua morte.
Mas a arte foi mais forte e, o desejo de testemunhar ao mundo o que sentia, levou-o a compor com mais ardor.
Depois do testamento de Heiligenstadt, escrito em 6 de Outubro de 1802, escreveu já quase sem ouvir nada as melhores obras, entre elas a Sinfonia nº 3, "Eroica", considerada a sua primeira obra monumental.
Compôs concertos para piano e violino; sonatas para piano, violino e violoncelo, a famosa Missa Solene e também a Ópera Fidelio.
Das várias sinfonias, a "Nona" foi a que mais o consagrou. 
Beethoven foi sempre condicionado pelo equilíbrio, pelo amor à Natureza e ideais humanitários. Foi considerado um poeta músico.
A Autitv no dia 30 de Janeiro, teve oportunidade de apreciar o maravilhoso Concerto da Orquestra Gulbenkian, dedicado a Ludwig van Beethoven.
O programa iniciou com a Abertura Leonore III, em movimento Adágio - Allegro, composta em 1806.
A Sinfonia nº 8, em Fá maior, op.93, e o Concerto para Piano e Orquestra nº5, em Mi bemol maior, op.73, popularmente conhecido por Concerto do Imperador que foi escrito entre 1809 e 1811 em Viena e dedicado ao Arquiduque Rudolf seu patrono.
 A Orquestra da Gulbenkian foi magistralmente dirigida pelo Maestro Jaime Martin que ocupa o lugar de Director Musical da Orquestra de Câmara de Los Angeles.
O pianista russo, Alexei Volodin foi entusiasticamente aplaudido pela sua belíssima interpretação no Concerto para Piano nº5. 
Foi uma noite em que a cultura musical a todos envolveu, deixando-nos de espírito mais leve. 
Ao Dr. José Travanca os nossos agradecimentos pela sua prestimosa colaboração.    


                     





segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Poema




Aguarela






      O mar dos meus olhos


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma 


E trazem a poeira nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma


             Sophia de Mello Breyner Andresen, in  Obra Poética









sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Tapetes de Portalegre








Não quis deixar Portalegre sem visitar o Museu das Tapeçarias que tem novas  instalações . O Museu está instalado no Palácio Castelo Branco, edifício barroco, situado no centro histórico de Portalegre e perto da Porta da Devesa.
As instalações são maravilhosas. A junção da pedra e do vidro, as madeiras em tom mel e as salas de paredes brancas, com a iluminação bem direccionada, deixam realçar toda a beleza e a grandiosidade das peças expostas.
Comecei a visita no piso térreo, onde é apresentada a história e a técnica da execução destas peças de verdadeira arte. 



































Tapeçarias  expostas








 Escolha de cores para os trabalhos desenhados de Maria  Keil








    





Apresentação  do desenho, escolha de cores, trabalho no tear e...







uma mostra da combinação de cores e da técnica da urdidura dos fios que resulta num trabalho de arte, criada pelo  pintor e revelada pelo artesão. 














































No 1º piso estão apresentadas obras de tapeçarias desde finais dos anos 40 até à actualidade.
As tapeçarias de Portalegre, distinguem-se pela originalidade da técnica e por trabalharem com obras de artistas que assinam as peças como obras suas.
Há obras de Almada Negreiros, Júlio Pomar,Vieira da Silva, Eduardo Nery, Jean Luçart, entre outros.
Fiquei maravilhada por ver estas grandiosas tapeçarias que respeitam o traçado e a mancha da pincelada do pintor, numa ligação conjunta de amor à arte.
Um dia voltarei, se Deus quiser, para apreciar com mais tempo e me deslumbrar com a criatividade e perfeição destes artistas.






Revisitar Portalegre


Revisitar Portalegre



Portalegre, cidade do Alto Alentejo é a capital do distrito de Portalegre.
O nome vem de porto ( local de passagem, porto de abrigo) e alegre, pela paisagem rica em vegetação e frondosas matas que lhe conferem  a alegria pela proximidade da serra de S. Mamede.
Foi nesta cidade que tirei o Magistério Primário e dali saí com uma classificação de 17 valores  que me abriu portas para a grata missão de crianças ensinar.
O dia amanheceu chuvoso mas não me impediu de revisitar alguns pontos da cidade.
Dirigi-me para o edifício onde estudei e que hoje é o Instituto Politécnico de Portalegre.




Entrei na Sé Catedral e veio à memória a cerimónia da benção das pastas e o quanto estava emocionada.          





Nesta zona alta da cidade fica também o Museu, o Paço Episcopal, algumas casas brasonadas.
A casa onde estava hospedada ficava perto do Largo da Sé. 





   





















                   Museu à direita e ao fundo o Paço Episcopal.












Convento de S. Bernardo onde está instalado o comando da G.N.R.








                                         Capela do Calvário





           Torres do Castelo. Perto temos o Museu da Cortiça .










                No Rossio encontramos o gigantesco plátano com 38 m de diâmetro e 11m de perímetro. É classificada como árvore de interesse público e é a árvore mais antiga com esta classificação.



Hotel José Régio e  Hotel Rossio que no meu tempo não existiam. O Hotel D. João III está desactivado.




Porta da Devesa faz parte das muralhas e dá acesso à Rua do Comércio. 








Palácio dos Condes de Castelo Branco onde se enconta o Museu de Tapeçaria de Portalegre.





Câmara Municipal de Portalegre instalada no antigo Colégio de São Sebastião.




Pórtico de entrada do antigo Colégio Jesuíta de São Sebastião- 




                                  Estátua de D. João III


Muito ficou por visitar mas a chuva e o vento impediram-me de continuar.
Fiquei um pouco entristecida ao ver a longa Rua do Comércio com casas degradadas e muitas lojas fechadas. Outrora, era uma rua movimentada e, as suas lojas apresentavam o que de melhor e de novidade havia para comprar.
Estudantes encontram-se muitos porque existe oferta e, à noite, há um certo movimento nos restaurantes e bares frequentados pelos 
jovens estudantes, o  que no meu tempo não existia.
Portalegre pareceu-me uma cidade que procura renovar-se.