Aguarela - O Abraço
PAI
Tenho saudades do teu abraço. Quando pequenina me agarravas ao colo como eu me sentia segura.
Nada receava.
Olho para trás e vejo-te sempre muito presente. Estavas sempre lá.
Quando ia a Lisboa ao Instituto, era sentada no teu joelho que eu recebia o tratamento. Agarrada a ti não tinha medo do grande aparelho. Era tudo bem mais fácil.
Quando terminei a primária acreditaste que eu tinha potencial para continuar e, mesmo com as dificuldades da época, arriscaste.
Eras um pai com visão e trataste de tudo para que eu estudasse com bolsa de estudo. Não te desiludi.
Todos os meses me ias visitar a Portalegre e como eu ficava feliz com o teu abraço. Dáva-me força para continuar e apaziguar as saudades que eu tinha da mãe, do Tonito e da casa. Nunca te disse para não ficares triste. Tinhas tanta confiança em mim!
Foi pelo teu braço que eu subi ao altar.
Foste um avô sempre presente mesmo morando afastado dos netos. Nas festas de anos, nas suas brincadeiras, nas histórias que lhes contavas, nos passeios que partilhávamos, nos incentivos aos estudos e na presença sempre disponível em situações de doença, estavas lá, com o teu abraço.
Os netos casaram, vieram os bisnetos e a tua filosofia foi a mesma.
O avô Manuel era o "dinossauro" da pequenada e até ensinava a jogar matraquilhos e sabia ganhar. Na praia brincava na areia e até se deitava na água.
Abriu a Universidade Sénior e foste dos primeiros alunos a frequentá-la. Eras participativo, interessado e até aí me acompanhaste com os teus conselhos, com o teu abraço.
Quando a mãe partiu, também com a tua força, me ajudaste a superar o vazio que ela deixou.
A decoração da casa ficou igual e a tua resistência em viver sózinho e a forma peculiar com que lidaste com as memórias couraçaram-te.
Agora, com os teus quase 95 anos e já acamado, ainda me acompanhas nos pequenos diálogos de volta ao passado. Aí uso as histórias que nos contavas e, por vezes, já não és o pai mas o menino que ainda nos consegue surpreender com palavras soltas mas inspiradas.
Já não apareces mas, graças a Deus, estás ainda presente e dizes todos os dias à nossa chegada: "Ainda cá estou."
Quando a mãe partiu, também com a tua força, me ajudaste a superar o vazio que ela deixou.
A decoração da casa ficou igual e a tua resistência em viver sózinho e a forma peculiar com que lidaste com as memórias couraçaram-te.
Agora, com os teus quase 95 anos e já acamado, ainda me acompanhas nos pequenos diálogos de volta ao passado. Aí uso as histórias que nos contavas e, por vezes, já não és o pai mas o menino que ainda nos consegue surpreender com palavras soltas mas inspiradas.
Já não apareces mas, graças a Deus, estás ainda presente e dizes todos os dias à nossa chegada: "Ainda cá estou."
Parece que ao veres a família te dá força para viver.
Pai, és um Homem de forte personalidade, ora sorris. ora impões mas com um sentido de família e do dever muito acentuado. Foste e serás sempre militar!
Mas eras meigo, honesto, cumpridor e amigo do teu amigo. Será assim que te recordarei.
Atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher e a teu lado esteve sempre uma grande Senhora, a minha Mãe que te amou com devoção e te apoiou sempre em todas as situações, muitas vezes esquecendo-se de si própria.
Pai, és um Homem de forte personalidade, ora sorris. ora impões mas com um sentido de família e do dever muito acentuado. Foste e serás sempre militar!
Mas eras meigo, honesto, cumpridor e amigo do teu amigo. Será assim que te recordarei.
Atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher e a teu lado esteve sempre uma grande Senhora, a minha Mãe que te amou com devoção e te apoiou sempre em todas as situações, muitas vezes esquecendo-se de si própria.
Hoje, Dia do Pai, quero dar-te um grande Abraço de agradecimento por tudo o que nos deste e o que não pudeste e ouvir a tua costumada frase:" É preciso Acreditar".
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