quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Rivalidades




Do livro:

"TONALIDADES"

de
Maria do Espírito Santo Miranda - poema 
Maria Manuela Duarte Estêvão - ilustração




Aguarela


Tu tens o porte do altivo cisne branco, 
A beleza de um lírio do jardim,
A força de um poema num só verso
E o perfume tão intenso do jasmim.


Tu tens  em cada passo, em cada gesto,
A suavidade de uma manhã outonal,
A graça e a leveza de uma pomba
Quando volta noite dentro ao seu pombal.


Mas, se assim te viam os olhos da minh´alma
Quando com olhos d´alma eu te olhava
Meus olhos de amiga descobriram
Pequenino espinho de roseira brava.  


                          

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Para o meu neto Gonçalo - Santa Cruz em Outubro



Santa Cruz é uma das praias mais belas que conheço.
Senhora de um extenso areal e de um mar de águas azuladas é embelezada pelas  arribas fascinantes de cor e mistério.
Naquela tarde de Outubro saí de casa disposta a caminhar pela praia deserta de gente mas cheia de luz e de uma suave brisa vinda do mar.

A praia de Santa Cruz serviu de inspiração para muitos poetas.
Antero de Quental, Kazuo Dan e João de Barros têm nela vincada uma justa homenagem pela forma poética e contagiante que souberam imprimir às suas obras.





 















O poeta João de Barros referiu-a como:" A praia que a Natureza fez
radiante e formosa... um dos mais fascinantes lugares de repouso e sonho que existe no Mundo."


Passo pela Formosa com as suas arribas e piscinas naturais e, fico por momentos, a absorver a beleza de um mar de prata que, naquela tarde de Outono, se estendia até ao infinito. 



Ao lado, surge o famoso  ex- libris - Penedo do Guincho que imponente e majestoso sobrevive ao tempo e às ondas que teimosamente ora o atacam ora o acariciam.




Alargo o passo e avisto a elegante torre que se ergue junto à zona pedonal que, de tão perto, as ondas e as rochas nos trazem o cheiro a maresia.






Desço na praia da Física e descalça caminho na areia. Recordo com
saudade as risadas dos meus netos, os desenhos e os castelos na areia molhada. Sinto a alegria do Gonçalo, ainda pequeno, a correr  atrás das gaivotas e deitado na areia a exclamar feliz:" Avó, isto é que é Vida!".


 Subo ao Pisão e trago nos olhos a calma do azul esverdeado do mar e no olfacto a salinidade que me revigora.  Ao longe, as praias do Mirante e do Navio que me lembram o Festival Internacional de Ondas - Ocean Spirit que tantos jovens e não jovens atrai a estas paragens.
Na linha do horizonte desenha-se a Vigia tão procurada pelos amantes do surf e para lá das arribas:  Santa Rita, a praia piscatória de Porto Novo e, no alto, sobranceiro ao mar,o Hotel Golf Mar do 
Vimeiro.


No regresso a casa , cansada da caminhada mas feliz,  sento-me no meu espaço de eleição junto às hortênsias, ainda floridas, plantadas
pela minha mãe e revejo o mar, os céus e os poentes que à distância de uma pincelada fazem as delícias de qualquer aguarelista. 





 

                                 O meu irmão pescando ao pôr do sol

Sinto-me privilegiada por estar tão perto e poder usufruir da gratuitidade de tanta maravilha. Obrigada Senhor!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

História para os netos - A baleia feliz

A baleia ( Aguarela )
Na turbulência das emoções e dos conflitos interiores que nos oprimem e sufocam, é saudável conseguir a libertação que nos leva de volta à serenidade.


                              História contada aos netos


Certa baleia vivia feliz naquele imenso mar de águas transparentes
sob um céu azul que lhes dava cor.
Todos os dias ia até ao fundo do mar alimentar-se dos inúmeros peixes que descuidados lhe entravam na barriga quando ela escancarava a sua enorme boca.
Para uns, era uma honra serem o seu alimento, para outros, ela era o terror do mar.
Quando atravessava as águas profundas e passava pelos rochedos de corais ficava deslumbrada com as cores maravilhosas da flora marinha e, por vezes, ficava ali parada mas logo se lembrava que tinha de vir à superfície  para respirar.
É que a baleia não é um peixe é um grande cetáceo que, como os humanos, respira pelos pulmões.
A baleia era brincalhona, gostava de dar cambalhotas sobre si mesma e com a sua grande cauda assustava os peixes maiores que encontrava.
Ela não gostava dos tubarões e afastava-se dos golfinhos ou eram eles que a evitavam. Vá-se lá saber o que passava pelas suas cabeças ... coisas de animais!
Quando a baleia os olhava com os seus grandes olhos todos se afastavam e assim ela considerava-se  a rainha do mar.
Um dia, quando subitamente apareceu à superfície para respirar, sentiu uma dor profunda no dorso.
Assustada e dorida desatou numa fuga desesperada. Então reparou que estava a ser perseguida por um barco ou era o barco que era arrastado por ela.
Eram os pescadores de baleias que lhe dispararam o arpão para a apanhar.
Sentiu-se perseguida e ferida. A perder sangue começou a ficar cansada. Aquele enorme corpo começou a fraquejar.
No momento em que as forças a estavam a abandonar surgiu um tubarão que ela julgava não ser  amigo e com os seus dentes afiados cortou a corda do arpão. A baleia ficou aliviada.
O barco ficou para trás e ela submergiu nas águas.
Mais tarde recuperou com a ajuda dos golfinhos e de outros animais marinhos.
A baleia continuou a viver naquelas águas por muito tempo e em
harmonia com todos os que ali habitavam.

A Amizade é uma arma que desarma!



CURIOSIDADE:

Foram vistas oito orcas  ao largo da baía de Cascais entre as praias da Costa da Caparica e Sesimbra.
Estes animais marinhos são da família dos golfinhos mas em maiores proporções.
A curiosidade está no facto de aparecerem no dia, 4 de Outubro, em que se comemora o dia Mundial do Animal.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A teia dos pensamentos

A teia (aguarela)

A aranha constrói a sua teia e o ser humano os seus pensamentos.

Os nossos pensamentos por vezes num emaranhado desenfreado vêm ditando o nosso comportamento e o sentido da nossa vida. 

Os nossos pensamentos só têm os limites que lhes queremos atribuir ou imprimir. Somos aquilo que pensamos.

O  filósofo Descartes disse : " Penso, logo existo.


Para Sigmund Freud: "Não somos apenas o que pensamos ser.
Somos mais : somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos "sem querer". 

Buda também afirmou :"Nós somos o que pensamos. O que somos surge com os nossos pensamentos. 
Com os nossos pensamentos fazemos o nosso mundo."

Quantas vezes nos sentimos pendurados como a aranha na sua teia. 
Parece que tudo fracassa mas, há sempre o vislumbre de uma saída.
Partir para a estabilidade requer coragem para a subida... de volta à liberdade e à coerência. 


A frase " Penso, logo existo" do filósofo francês  René Descartes marcou a visão do movimento iluminista que colocou a razão humana como única forma de existência.

René Descartes(1596-1650) é considerado o fundador da filosofia moderna.







domingo, 8 de outubro de 2017

História para os netos Maria e Tomás


                         
 A raposa disfarçada - Aguarela

A raposa solitária andava esfaimada lá no alto da serra. A neve caía e a raposa nada tinha para  comer.
Cada dia que passava sentia-se mais fraca e então lembrou-se de descer ao povoado para encontrar comida.
Quase  de rastos desceu a encosta e chegou  perto do casario.
Muito receosa, espreitou para um quintal e viu uma capoeira cheia de galinhas e patos.
Ficou tão contente que até a saliva lhe caía da boca. Mas como havia de lá chegar?
Esperou pela calada da noite e aproximou-se da capoeira que por sorte até tinha um buraco na rede.
-Uff! Que sorte, Hoje é que eu vou encher a minha pobre barriga que tem andado tão vazia.
Devagar, muito devagarinho, não fossem os donos descobri-la, esgueirou-se pelo buraco e ficou lá dentro.
As galinhas e os patos estavam a dormir tranquilamente e o galo da capoeira estava descansado porque ainda não tinha chegado a aurora para começar a cantar.
A raposa atirou-se à galinha mais gorda e levou-a agarrada nos dentes.
Foi uma confusão! As galinhas cacarejaram, os patos grasnaram e o galo cantou.
A dona ouviu todo aquele barulho e veio em camisa de noite ver o que se passava. Contou as aves e verificou que lhe faltava uma e  que até as penas estavam espalhadas pelo chão...
-Isto foi obra de alguma raposa  que anda lá pela serra. Que volte que eu trato dela- disse em tom ameaçador.
Na outra noite, a raposa com o estômago mais aconchegado afoitou-se a ir ao galinheiro. E foi!
Mas à cautela foi disfarçada com uma cabeleira que encontrou perdida perto da sua toca.
Quando chegou ao galinheiro não viu a dona escondida atrás de um arbusto e entrou pelo buraco convencida que não a reconheciam.
As galinhas, os patos e o galo fizeram tamanho alarido que quase acordaram a vizinhança.
A dona Maria saiu detrás dos arbustos, com um pau, para castigar a raposa mas ao vê-la tão magra e com os olhos tão tristes sentiu pena dela.
Então, foi buscar-lhe um prato com comida. Ela comeu tudo e até se lambeu. Agradecida, encostou o focinho na mão da senhora Maria que ficou muito comovida.
A partir daí, a raposa passou a ir lá comer todos os dias e  nunca mais atacou as aves da capoeira..
A raposa disfarçada passou quase a ser domesticada.
Conclusão: Faz bem e não olhes a quem.

domingo, 1 de outubro de 2017

Para o meu neto Lourenço.




Passear é sempre agradável mas quando acompanhada pelos netos tudo toma outras proporções.
Como as férias estavam a terminar convidei o meu neto Lourenço para lanchar na Ericeira.
A tarde estava agradável, a companhia era óptima e durante a viagem a conversa foi animada.


Chegados à vila que se debruça sobre uma bela praia ficámos, por momentos, a observar as ondas que embatiam nos rochedos com alguma fúria.

















Lembrei a família real que partiu da praia dos Pescadores para o exílio, a 5 de Outubro de 1910, para fugir à revolução republicana que veio substituir o regime monárquico.


Passeámos pelo porto de  pesca onde os barcos atracados despertavam  a curiosidade dos turistas e quando a fome aguçou o apetite, sentámo-nos numa esplanada e ali lanchámos.



O meu neto informou-me que a Ericeira é considerada  a única reserva mundial de surf na Europa e que a praia de Ribeira  d´Ilhas é muito procurada pelos surfistas porque dizem que as ondas ali são diferentes.


Dá-me prazer ouvi-los e, é nestes diálogos que eu os vou conhecendo melhor e entrando um pouco no seu mundo que começa a ser muito diferente do meu.



Saímos desta pitoresca vila conscientes de que o turismo tem um papel muito relevante na sua economia.




E, para mais tarde recordar, o Lori fez questão de tirar uma foto à avó. Voilá!


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Gosto de viajar...



Gosto de viajar no Outono porque tudo está mais calmo e a natureza proporciona-nos cores quentes e deslumbrantes que nos despertam os sentidos.

Viajar faz bem à saúde e ao espírito. Abre-nos novos horizontes , aproxima-nos, ajuda-nos a entender as diferenças e a compreendermos melhor os outros.

Foi numa viagem ao Porto integrada num roteiro fotográfico organizado pelo professor da disciplina de Fotografia da Universidade Sénior de Torres Vedras - AUTITV  que eu vivi uma aventura que me deixou realizada.


Saí cedinho com o fresco da manhã a tocar-me no rosto e a despertar-me de uma noite mal dormida pela ansiedade da partida.

Chegámos à bela cidade Invicta e visitámos  o Centro Português de Fotografia instalado no Edifício da Antiga Cadeia da Relação mandado construir por Filipe II de Espanha, I de Portugal e que chegou a albergar cerca de 500 reclusos. O escritor Camilo Castelo Branco e a sua companheira Ana Plácido estiveram encarcerados nesta prisão  por crime de adultério. Visitámos com  agrado todos os espaços possíveis.

O edifício para a sua actual utilização sofreu obras de restauro e arranjos dos  arquitectos Eduardo Souto Moura e Humberto Vieira.

Caminhámos pela cidade, fotografámos a Casa onde nasceu o escritor Almeida Garrett  e entrámos na estação de São Bento, onde observámos os belos painéis de azulejos de  que está revestida.


Almoçámos na Avenida dos Aliados com as suas árvores engalanadas com as quentes cores do Outono e, sempre a pé, atravessámos a magnífica ponte D. Luís de onde desfrutámos a beleza das margens ribeirinhas.


Estávamos no entardecer  de um Porto deslumbrante  de uma serena beleza.  Parei emocionada e agradeci ao Criador a simplicidade de tamanha grandeza.


Senti-me agraciada e penso que todos os companheiros seniores foram tocados pelo mesmo sentimento.



Houve partilha, cultura, emoção e aventura numa viagem que parecia à partida de dificil execução.

Obrigada a todos os que se empenharam para nos proporcionarem este desafio. E,  para os que o viveram como uma proeza alcançada, atrevo-me a citar:

Albert Camus  : "No coração do Inverno aprendi, finalmente, que, dentro de mim, dormia um verão invencível"