domingo, 8 de outubro de 2017

História para os netos Maria e Tomás


                         
 A raposa disfarçada - Aguarela

A raposa solitária andava esfaimada lá no alto da serra. A neve caía e a raposa nada tinha para  comer.
Cada dia que passava sentia-se mais fraca e então lembrou-se de descer ao povoado para encontrar comida.
Quase  de rastos desceu a encosta e chegou  perto do casario.
Muito receosa, espreitou para um quintal e viu uma capoeira cheia de galinhas e patos.
Ficou tão contente que até a saliva lhe caía da boca. Mas como havia de lá chegar?
Esperou pela calada da noite e aproximou-se da capoeira que por sorte até tinha um buraco na rede.
-Uff! Que sorte, Hoje é que eu vou encher a minha pobre barriga que tem andado tão vazia.
Devagar, muito devagarinho, não fossem os donos descobri-la, esgueirou-se pelo buraco e ficou lá dentro.
As galinhas e os patos estavam a dormir tranquilamente e o galo da capoeira estava descansado porque ainda não tinha chegado a aurora para começar a cantar.
A raposa atirou-se à galinha mais gorda e levou-a agarrada nos dentes.
Foi uma confusão! As galinhas cacarejaram, os patos grasnaram e o galo cantou.
A dona ouviu todo aquele barulho e veio em camisa de noite ver o que se passava. Contou as aves e verificou que lhe faltava uma e  que até as penas estavam espalhadas pelo chão...
-Isto foi obra de alguma raposa  que anda lá pela serra. Que volte que eu trato dela- disse em tom ameaçador.
Na outra noite, a raposa com o estômago mais aconchegado afoitou-se a ir ao galinheiro. E foi!
Mas à cautela foi disfarçada com uma cabeleira que encontrou perdida perto da sua toca.
Quando chegou ao galinheiro não viu a dona escondida atrás de um arbusto e entrou pelo buraco convencida que não a reconheciam.
As galinhas, os patos e o galo fizeram tamanho alarido que quase acordaram a vizinhança.
A dona Maria saiu detrás dos arbustos, com um pau, para castigar a raposa mas ao vê-la tão magra e com os olhos tão tristes sentiu pena dela.
Então, foi buscar-lhe um prato com comida. Ela comeu tudo e até se lambeu. Agradecida, encostou o focinho na mão da senhora Maria que ficou muito comovida.
A partir daí, a raposa passou a ir lá comer todos os dias e  nunca mais atacou as aves da capoeira..
A raposa disfarçada passou quase a ser domesticada.
Conclusão: Faz bem e não olhes a quem.

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