quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Dornes numa tarde primaveril.







No último fim de semana respirava-se um ar primaveril e resolvemos aproveitar o sol e desfrutar das paisagens verdejantes.
De Fátima seguimos para Ferreira do Zêzere e fomos até Dornes.
Em 1201,  D. Pedro Afonso, filho de D. Afonso Henriques, fazia referência no foral a uma povoação chamada de Dornas.
Esta pequena povoação no reinado de D. Manuel era uma vila e sede de concelho mas com o passar dos tempos foi perdendo poder
e em 1836 foi extinta a vila e concelho de Dornes.
Diz a História que os romanos estiveram nesta região e exploravam ouro nas águas do Zêzere.
Mais tarde D. Afonso Henriques doou estas terras aos Templários
que aproveitaram o rio como linha de defesa e construíram a torre pentagonal que a torna um exemplar único em Portugal.








A fundação da igreja é atribuída à Rainha Santa Isabel. Com  o passar dos tempos sofreu algumas alterações.
Entrámos neste Santuário chamado de Nossa Senhora do Pranto. Conta a lenda que o feitor da Rainha Santa Isabel quando perseguia um veado,  na Serra Vermelha, ouviu um choro doloroso e veio contar à Rainha. 
Esta não ficou admirada e indicou-lhe o lugar certo onde se ouviam os choros.
Encontraram Nossa Senhora com outra imagem de seu Filho morto, nos braços e foi erguida a capela .
A terra passou a chamar-se de Vila das Dores, hoje Dornes.





































                                   
   Altar da Santíssima Trindade ( desconhece-se a sua origem)



         
                                     Pia Baptismal





No altar do lado esquerdo tem as imagens antiquíssimas dos quatro evangelistas.







Junto do rio, os barcos no cais esperavam os veraneantes mais audazes para um passeio pelos canais. 





Fomos até ao Lago Azul e vimos a praia fluvial e os barcos atracados. Regressámos por estradas orladas de acácias floridas que irradiavam a paisagem com os belos tons de amarelo anunciando a 
tão esperada Primavera.



sábado, 23 de fevereiro de 2019

A Pensativa.









Esta peça que está assinada e numerada foi uma oferta da minha sogra mum dia de aniversário. 
Tenho-a como uma peça de museu. Sempre encontrei nela uma singularidade que me enternece e atrai.
A história é um pouco triste e representa muita entrega e amor.
A minha sogra, embora não tivesse muitas posses gostava de auxiliar as pessoas  que tinham necessidades.
Nos tempos do após guerra havia muita fome e muita pobreza envergonhada como hoje, infelizmente ,também existe.
Um senhor que vivia perto, já muito idoso e desamparado, recolhido na sua casa, vivia das recordações a adivinhar pela  tristeza que lhe ensombrava o rosto.
Um dia, bateu à porta da minha sogra e, com lágrimas nos olhos, pediu-lhe ajuda. Não tinha nada para comer e sentia-se doente. 
Ela passou a partilhar com ele a comida de todos os dias e a fruta do pomar. 
Esta Pensativa ,como a minha sogra lhe chamou, foi a oferta em troca de comida e de algumas moedas para ele comprar os remédios que precisava para ir sobrevivendo às dores e à doença.
Já muito cansado da vida e da doença, ofereceu-lhe a Pensativa e pediu-lhe que a estimasse e  a guardasse com muito carinho porque tinha para ele um grande valor. Pouco tempo depois morreu.







Olho para ela e tento vislumbrar naquele rosto de traços delicados
o enigma que ele encerra. Em que estará a pensar? 
Estará num momento de meditação?
Leu partes do livro ?... acabou de o ler?








Sentada no canapé, numa posição descontraída, deixa adivinhar um rosto feliz, de mulher apaixonada?... ou de uma sensível pensadora?... 


"Os mais fortes de todos os guerreiros são estes dois: Tempo e Paciência."
                                                                   Leon Tolstói

"A alegria de fazer  o Bem é a única felicidade verdadeira."

                                                                   Leon Tolstói

"O progresso do homem não é mais do que uma descoberta gradual de que as suas perguntas não têm significado."
               
                                                 
                                                                  Antoine de Saint-Exupéry

 "Tenho em mim todos os sonhos do mundo."

                                                                   Fernando Pessoa


 "Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma   gota de água no mar. 
 Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.


                                                                   Madre Teresa de Calcutá

"O que é um inimigo? 
Eu mesmo. Minha ignorância, meu apego, meus ódios.
Aí está meu inimigo.

                                                                    Dalai Lama

"Às vezes, Deus te leva pelo caminho mais longo, não para te   punir, mas sim para te preparar."

                                                                    Pedro Bia

"Sózinhos, pouco podemos fazer.
 Juntos podemos fazer muito."
                                                                    Helen Keller

"Ninguém faz cadeados sem chaves.
 Do mesmo modo, Deus não dá problemas sem soluções."

                                                                    Pensador

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."

                                                                    Pensador








quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

De Avila a Segovia

Em Abril de 2017 fui numa viagem, da disciplina de Espanhol, a terras de Castilla e Leon. 
A paragem em Alba de Tormes deixou-me deslumbrada pela visita que realizámos ao Mosteiro de Nossa Senhora da Anunciação das Irmãs  Carmelitas Descalças, fundado em 1571, por  Santa Teresa de Jesus, Doutora da Igreja.

  




















Santa Teresa de Ávila ali está sepultada e as suas relíquias também ali se encontram. 
O museu do mosteiro tem um acervo riquíssimo em cálices e custódias de prata dourada , paramentos bordados a seda e fios de ouro e prata, além de quadros com pinturas religiosas de grandes pintores. Fiquei maravilhada!   Não imaginava encontrar  tanta preciosidade e beleza guardadas no interior da austeridade de um mosteiro.













Muralhas de Ávila




A Catedral de Ávila é considerada a 1ª catedral gótica de Espanha 
e tem influências francesas do gótico da Basílica de Saint- Denis.
Os vitrais conferem-lhe uma luz que vem realçar a mistura das  cores das pedras de granito, com as outras pedras em tons de salmão e ocre, cujo nome desconheço e que provavelmente serão da região de Castela.










Já na província de Segóvia partimos em busca da Granja de Santo
Ildefonso, com o seu belo Palácio Real, nas proximidades da serra de Guadarrama.









Foi mandado construir por Filipe V, de Espanha inspirado no fausto do Palácio de Versailles. Hoje é uma das residências da Família Real.





As salas são lindíssimas e nenhuma é igual. Os tectos e lustres são todos diferentes.
Há adornos nas paredes desenhados com matérias-primas de beleza estonteante. Apenas visitámos o 1º piso sempre atravessando salas  com altas janelas viradas para o sol, deixando ver toda a beleza circundante.
Era o palácio de verão, e o rei, quando ia para as caçadas fazia questão de passar por aquele longo corredor de pisos belos e únicos com a comitiva real e os convidados.










Os jardins que rodeiam o palácio foram desenhados por René Carlier que usou a encosta natural que desce as montanhas até aos campos do palácio para que as águas jorrassem com a pressão suficiente para alimentar as 26 fontes que decoram o parque. 







As fontes representam divindades gregas e os trabalhos de águas e as canalizações ainda são as originais, embora nem todas as fontes trabalhem ao mesmo tempo. 
Na totalidade abrem duas vezes no ano.
É um espectáculo maravilhoso e as pessoas que se colocam ao redor têm que se afastar rapidamente para não ficarem molhadas.
A água jorra com direcções e tempos inesperados. Sobe a adrenalina entre os presentes e soltam-se gritos e exclamações de alegria e surpresa. 

























Já um pouco cansados, chegámos ao hotel Real Segóvia, no centro da cidade, muito próximo da Catedral.










No dia seguinte visitámos Segóvia.

O Aqueduto, de origem romana é um dos monumentos mais antigos e preservados da Península Ibérica. É o ex-libris da cidade.
Terminámos o nosso périplo por Segóvia com a visita ao Alcazar.
O meu agradecimento, à professora Fátima Tomás, por nos ter proporcionado mais uma oportunidade para enriquecermos os nossos conhecimentos.




















domingo, 10 de fevereiro de 2019

Os potes da Manuela (Originais)






                Duas versões do mesmo pote (pintura em porcelana) .  
                                     Desenhos Originais.





























Foi o primeiro pote que pintei e como tal estava nervosa e insegura porque a peça quando vai a queimar na mufla é sempre uma surpresa quando sai. 
O produto final pode ser diferente do que esperávamos. Pode sair muito manchado e não satisfaz as expectativas criadas ou então é uma surpresa. A alta temperatura pode provocar alterações na cor e até na textura quando se trata de pintura com ouro .
Estes trabalhos são entusiasmantes porque exacerbam a nossa criatividade. 
Este pote como era muito pesado tornou-se difícil de manusear porque a mão e o antebraço entram pela boca da peça.  O entusiasmo deixa o tempo correr, a coluna começa a ceder e então aí termina a tarefa que recomeça no outro dia.




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Serão iguais?

As ânforas serão iguais?
Claro que são! Fui eu que as desenhei e pintei.
A minha neta, Maria Ana, gosta delas mas o Tomás também as aprecia. Então ficou acordado cada um ficar com uma, se entretanto não se partirem. 
A "Marocas" curiosa e interessada quis saber como as pintei. Então fui explicando.
A porcelana foi lixada, limpa e pintada com tinta de cor azul para porcelana e esponjada para a cor ficar mais uniforme . As partes douradas superiores e inferiores ficaram em branco. As  peças foram a queimar na mufla. Voltei a dar outra camada de azul, voltei a esponjar e foram outra vez à  mufla.
Sobre o azul já queimado, desenhei directamente de um lado e de outro, motivos que imaginei. Pintei-os com ouro líquido .Sobre as restantes partes brancas levou o  ouro  que ao queimar na mufla ficou com brilho, para assim ficar diferente dos desenhos de ouro mais baço.
Fiquei feliz com o resultado final. 
Claro que os desenhos têm pequenas diferenças, os motivos não foram passados a papel químico. É um trabalho manual.
Já lá vão 15 anos. O tempo passa depressa! Hoje teria dificuldade em manusear as peças, o que exige muita firmeza e destreza manual para evitar possíveis manchas. O ser humano com o passar dos anos vai-se adaptando às limitações que vão surgindo e, vai aceitando outras que poderá encarar ou não com optimismo. O importante é viver e aceitar com alegria o que ainda lhe é permitido experienciar.


                                                                           
       

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Passadiços do Paiva





Percorrer os cerca de 8 Km nos Passadiços do Paiva é algo de maravilhoso, refrescante e quase irreal.
Situados na margem esquerda do rio Paiva, no concelho de Arouca e no distrito de Aveiro, deslumbram qualquer viajante que se queira aventurar naquelas zonas.
Inaugurado em Junho de 2015 já foi sujeito à catástrofe de dois incêndios que destruíram, implacavelmente de uma vez 600 m e, em Agosto de 2016, cerca de 700m.
Felizmente que se vão reconstruindo os trilhos mas muito se vai perdendo nesta luta desigual entre a mãe natureza e a força do mal.
Com a AUTITV, num roteiro fotográfico dirigido pelo professor Lourenço, tive o privilégio de durante o percurso de 4 Km apreciar  a beleza ímpar de uma paisagem que se vai descortinando aos nossos olhos. Senti-me pequena perante a grandeza daquele santuário natural  e, em silêncio, fui recolhendo ao longo da viagem o murmúrio do rio ou os bramidos das águas bravas quando passavam pelas escarpas do terreno alcantilado.
A praia fluvial do Vau espraia-se na areia, deixando ver a pureza das suas  águas para deleite de quem nelas se aventura a mergulhar.
Gostaria de voltar para saborear a leveza daquele ar puro e, mais atenta, escutar os sons de aves que cruzam a  garganta do Paiva.
Os Passadiços do Paiva levam-nos a viajar pelo tempo e dão-nos lições de biologia, geologia e arqueologia em ambiente livre e descomprometido de qualquer sala de aula.
Pela UNESCO é considerado Património Geológico da Humanidade.