domingo, 10 de fevereiro de 2019

Os potes da Manuela (Originais)






                Duas versões do mesmo pote (pintura em porcelana) .  
                                     Desenhos Originais.





























Foi o primeiro pote que pintei e como tal estava nervosa e insegura porque a peça quando vai a queimar na mufla é sempre uma surpresa quando sai. 
O produto final pode ser diferente do que esperávamos. Pode sair muito manchado e não satisfaz as expectativas criadas ou então é uma surpresa. A alta temperatura pode provocar alterações na cor e até na textura quando se trata de pintura com ouro .
Estes trabalhos são entusiasmantes porque exacerbam a nossa criatividade. 
Este pote como era muito pesado tornou-se difícil de manusear porque a mão e o antebraço entram pela boca da peça.  O entusiasmo deixa o tempo correr, a coluna começa a ceder e então aí termina a tarefa que recomeça no outro dia.




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Serão iguais?

As ânforas serão iguais?
Claro que são! Fui eu que as desenhei e pintei.
A minha neta, Maria Ana, gosta delas mas o Tomás também as aprecia. Então ficou acordado cada um ficar com uma, se entretanto não se partirem. 
A "Marocas" curiosa e interessada quis saber como as pintei. Então fui explicando.
A porcelana foi lixada, limpa e pintada com tinta de cor azul para porcelana e esponjada para a cor ficar mais uniforme . As partes douradas superiores e inferiores ficaram em branco. As  peças foram a queimar na mufla. Voltei a dar outra camada de azul, voltei a esponjar e foram outra vez à  mufla.
Sobre o azul já queimado, desenhei directamente de um lado e de outro, motivos que imaginei. Pintei-os com ouro líquido .Sobre as restantes partes brancas levou o  ouro  que ao queimar na mufla ficou com brilho, para assim ficar diferente dos desenhos de ouro mais baço.
Fiquei feliz com o resultado final. 
Claro que os desenhos têm pequenas diferenças, os motivos não foram passados a papel químico. É um trabalho manual.
Já lá vão 15 anos. O tempo passa depressa! Hoje teria dificuldade em manusear as peças, o que exige muita firmeza e destreza manual para evitar possíveis manchas. O ser humano com o passar dos anos vai-se adaptando às limitações que vão surgindo e, vai aceitando outras que poderá encarar ou não com optimismo. O importante é viver e aceitar com alegria o que ainda lhe é permitido experienciar.


                                                                           
       

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Passadiços do Paiva





Percorrer os cerca de 8 Km nos Passadiços do Paiva é algo de maravilhoso, refrescante e quase irreal.
Situados na margem esquerda do rio Paiva, no concelho de Arouca e no distrito de Aveiro, deslumbram qualquer viajante que se queira aventurar naquelas zonas.
Inaugurado em Junho de 2015 já foi sujeito à catástrofe de dois incêndios que destruíram, implacavelmente de uma vez 600 m e, em Agosto de 2016, cerca de 700m.
Felizmente que se vão reconstruindo os trilhos mas muito se vai perdendo nesta luta desigual entre a mãe natureza e a força do mal.
Com a AUTITV, num roteiro fotográfico dirigido pelo professor Lourenço, tive o privilégio de durante o percurso de 4 Km apreciar  a beleza ímpar de uma paisagem que se vai descortinando aos nossos olhos. Senti-me pequena perante a grandeza daquele santuário natural  e, em silêncio, fui recolhendo ao longo da viagem o murmúrio do rio ou os bramidos das águas bravas quando passavam pelas escarpas do terreno alcantilado.
A praia fluvial do Vau espraia-se na areia, deixando ver a pureza das suas  águas para deleite de quem nelas se aventura a mergulhar.
Gostaria de voltar para saborear a leveza daquele ar puro e, mais atenta, escutar os sons de aves que cruzam a  garganta do Paiva.
Os Passadiços do Paiva levam-nos a viajar pelo tempo e dão-nos lições de biologia, geologia e arqueologia em ambiente livre e descomprometido de qualquer sala de aula.
Pela UNESCO é considerado Património Geológico da Humanidade.






























quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Sonho de menina mulher! ( Aguarela )





                                                                   Aguarela 


A nossa mente prega-nos algumas partidas vindas talvez dos espaços mais recônditos do nosso subconsciente  e que nos deixam, por vezes, nostálgicos de saudade do que para trás ficou.
Quando era pequena gostava muito de ler e a minha mãe escondia-me os livros porque, dizia ela, os da escola já chegavam para me cansar o cérebro. 
Volvidos tantos anos , a vontade de ler quase desapareceu. São os olhos que choram, a visão fica turva, a cabeça dói  e o interesse vai esmorecendo. Que pena! 
A leitura levava-me para um espaço  que me soltava a imaginação deixando-me  leve e feliz.
Nesse mundo onírico em que por momentos vivia, não havia doenças, não havia guerras, não havia maldade nem inveja.
Nesse mundo sonhado, de príncipes e princesas, de castelos e palácios no meio de jardins floridos e relva verdejante,  soltava os cabelos ao vento norte e,  de chapéu na mão,  corria ... corria ...O
mundo era meu. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Filipe entre os golfinhos.

O meu filho Filipe foi sempre muito corajoso e tem  uma força estranha que nos impele e não nos deixa sossobrar perante as tentativas, sempre renovadas, de uma cura que nunca se alcança. A esperança na ciência, o Milagre que se pede em silêncio e não chega, o esforço contínuo de exercícios físicos para tentar manter a marcha tão dificultada. Não é fácil!!!
O meu Filipe é um verdadeiro Lutador. Desde pequeno, com a ajuda e amor dos pais, a ternura do irmão e da família, especialmente dos avós, agarrou com  determinação a sua dificuldade motora, sempre com um sorriso, serenidade e sem revolta.
Nos seus 42 anos de vida venceu barreiras, desilusões inerentes a qualquer jovem mas nunca lhe ouvi alguma revolta contra Deus.
Ajudei-o nos estudos, é um bom funcionário, trabalhador, amigo e sempre pronto a ajudar quem precisa e considera-se feliz.
A natação era o desporto que ele mais gostava mas na selecção para os paralímpicos ficava sempre de fora porque a deficiência como não era específica não lhe permitia alcançar os requisitos impostos.

O chefe de secção e colegas da Empresa convidaram-no para visitar Cuba. Foi para ele uma alegria imensa. Aqui ficam algumas imagens da sua experiência com os golfinhos e da empatia entre seres tão diferentes mas ligados pela pureza simples do amor.
Bem hajam os maravilhosos amigos que o lançaram nesta aventura que ele nunca esquecerá. 

















Tão ternurentos que são os golfinhos! O Filipe contou-nos que se sentiu muito calmo e leve.



segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Os meus presépios



Este ano, por vários motivos, não sentia muita disposição para  decorar a casa pelo Natal.

Numa manhã , entrei numa loja de artigos vários e, este Menino Jesus sorriu para mim. Agarrei-o no meu colo e senti toda a ternura do seu olhar. Era o melhor presente de Natal e guardei-o com amor. 
Ao chegar a casa, a minha disposição era outra.
Enrolei-o numa capinha de organza e em cima do meu véu antigo de menina, coloquei-o em cima de uma mesa rodeado de pequenos anjos.
A alegria do seu rosto irradia tanta beleza e serenidade!...
Voltei à loja e comprei vários que distribuí pelas pessoas que entendi dele precisarem e senti que fiz a escolha certa. 




Tenho também o "Jesus Negrinho" que carinhosamente me foi oferecido pelo meu neto Diogo  e que eu adoro pela forma ternurenta como coloca as mãos para fazer "ó...ó".



    

Gosto muito das minhas "lapinhas" mas o sorriso do meu Menino Jesus, comprado na lojinha do chinês, cativou-me.



domingo, 6 de janeiro de 2019

Ao meu velhinho...Pai.





Quando a Mãe partiu tudo ficou mais triste . Nada ficou igual...
O ambiente à nossa volta ficou pesado...mas havia o Pai para cuidar. Ou era ele que cuidava de nós?!!. Sempre teve uma personalidade forte e era muito protector.
No início senti-o vacilar.
Ficámos os três.  Cada um procurava, à sua maneira, a melhor forma de colaborar  para o incentivar a viver.






As aulas na AUTITV - Universidade Sénior, o convívio com alunos e professores, as tertúlias nos cafés com os amigos, as refeições em família , os passeios e a alegria dos bisnetos, acrescentaram-lhe   anos à sua já longa vida.
















Os anos passam e não perdoam. Vão deixando marcas no corpo e na alma dos que partem e dos que ficam. Resta-nos  o conforto do dever cumprido  e a recordação dos momentos de amor que soubémos e pudémos dar.












E é assim que eu o quero lembrar !