Num desses passeios para encontrarmos algo de novo, neste Portugal tão cheio de surpresas, fomos até à foz do Sado.
Passeámos pela Comporta e quando nos embrenhámos numa estrada apertada de terra batida e já resolvidos a voltar para trás porque nos julgávamos fora de rota, eis senão quando, avistámos um cenário de beleza estranha que nos obrigou a parar.
Uma tosca tábua anunciava o cais palafita da Carrasqueira.
Saí do carro e tirei algumas fotos, poucas, porque a escassez de luz do momento não mostrava a beleza real daquele cais que iluminado pelo pôr do sol seria fantástico. É uma obra-prima da arquitectura popular. Composta por estacas cravadas no lamaçal e em ziguezague forma um ancoradouro para os barcos de pesca. Foi construída na década de 50/60.
Vieram à minha memória as construções lacustres da vala de Alpiarça, onde os pescadores viviam com as suas famílias numa espécie de aldeia palafita. As construções em cima de estacas evitavam que as casas fossem arrastadas pela correnteza da água. Na escola que eu frequentava, tinha colegas que viviam nessas casas e eu, às vezes, ia lá brincar com elas. Adorava, era tudo diferente! No Inverno quando havia as cheias, elas vinham de barco quase até à escola. Era uma festa quando as víamos chegar. Que saudade desse tempo de coisas tão simples mas que ainda mantenho intactas no meu coração.
No dia 25 de Março, 2º Domingo da Quaresma, celebrou-se a procissão do Senhor dos Passos em Torres Vedras.
É sempre um momento de Fé e os católicos da cidade e do concelho movimentam-se para o viverem com muita solenidade.
O encontro da Mãe com seu Filho segurando a Cruz é sempre emocionante e é um testemunho da paixão vivida pelos crentes. O sermão orientado este ano pelo jovem padre Rui, natural de Torres Vedras, dirigiu palavras de força e de esperança.
Pelas ruas da cidade vai passando a procissão num silêncio que exprime mais do que quaisquer palavras.
Terminada a procissão houve Missa na Igreja de Nossa Senhora da Graça
Fiquei muito feliz porque este ano a tradição cumpriu-se. O meu sogro levou durante muitos anos o andor do Senhor dos Passos, já idoso, passou para o filho e, nesta procissão foi o neto que o levou e o bisneto que segurou o pálio. São quatro gerações numa verdadeira catequese! Graças a Deus!
Quando saímos da Aveleda a caminho do Porto, mudámos o rumo à procura do que eu chamo "um Portugal desconhecido". Deparámos com estradas mais apertadas e o anúncio da Festa do Caldo que nos despertou a curiosidade. Resolvemos descer a longa estrada que nos levou à pequena aldeia de Quintandona que pertence à freguesia de Lagares e concelho de Penafiel.
Interpelámos um morador que estava a fazer a limpeza do quintal porque a Festa do Caldo tinha terminado no dia anterior. Havia grande azáfama nos trabalhos de limpeza no recinto da festa. Segundo nos informou, ela mobiliza gente das regiões vizinhas e muitos imigrantes que ali acorrem no 3º fim de semana de Setembro e que enchem de alegria as típicas ruas da aldeia.
Há presunto, enchidos, pão de regueifa, cabrito assado, arroz de forno, pão de ló, pão podre, leite creme e vinho verde até fartar.
A Capela Na construção das casas da aldeia utilizam o xisto, granito , a lousa e a madeira. As casas são reabilitadas por jovens casais . Muitos deles trabalham no Porto, mas como Quintandona está à distância de 30 minutos de carro vêm à procura de melhor qualidade de vida. O ambiente bucólico, o ar que se respira e a tranquilidade atraem-nos.
Na realidade, passámos por gente muito jovem, alguns já acompanhados dos filhos.
Casa da Viúva Nesta aldeia faz-se Teatro e a companhia escolheu este local para se inspirar e dinamizar a arte que atrai muitos visitantes. O Grupo de Teatro tem o nome de ComoDEantes.
A Casa do Xiné é um Centro Cultural, o WineBar e a Casa da Viúva são espaços de convívio dos novos e jovens habitantes.
A cerca de 2 Km fica a Citânia do Monte Mozinho - Cidade Morta considerada a mais extensa da Península Ibérica e que terá sido a capital dos Galegos que a habitavam.
Quintandona, nome que lhe vem da Quinta da Dona, tem ruelas, casas e típicos lavadouros perfeitamente recuperados que lhe deu o estatuto de aldeia preservada bem na Rota do Românico.
Como vem sendo habitual as nossas saídas são programadas de acordo com as vontades do momento.
Estávamos em Fátima e depois das cerimónias resolvemos ir visitar a Quinta da Aveleda.
Conseguimos a visita guiada aos parques com árvores de espécies raras e jardins cuidadosamente tratados.
Além do património arquitectónico, os cantos e recantos desta bela Quinta, transportam-nos para épocas e vivências cheias de romantismo.
Neste espaço celebraram-se alguns casamentos da família Guedes sob a protecção de Nossa Senhora da Vandoma, padroeira da cidade do Porto e que se encontra no pequeno nicho.
A Aveleda possui muitos hectares de vinhas, a maioria das quais se situam na Região Demarcada dos Vinhos Verdes.
O vinho engarrafado data de 1870 por Manuel Pedro Guedes que era muito empreendedor e reconhecido como o fundador do negócio.
A Aveleda possui uma capacidade de engarrafamento de 15 a 20 milhões de garrafas por ano. Além dos vários vinhos Aveleda, produz também o conhecido vinho Casal Garcia.
É líder de mercado na Região dos Vinhos Verdes, reconhecidos nacional e internacionalmente.
No final, visitámos a Adega Velha e deliciámo-nos com a prova de vinhos e queijos também já preparados na queijaria da Quinta.
Saímos ao final da manhã, com destino ao Porto, satisfeitos com a visita e com a simpatia da guia e das pessoas com quem contactámos.
DIA INTERNACIONAL DA MULHER Hoje, dia 8 de Março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. O Papa Francisco assinala o Dia da Mulher com mensagem de gratidão. "Agradeço a todas as mulheres que, todos os dias, procuram construir uma sociedade mais humana e acolhedora."
Poema O mar dos meus olhos Há mulheres que trazem o mar nos olhos Não pela cor Mas pela vastidão da alma E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos Ficam para além do tempo Como se a maré nunca as levasse Da praia onde foram felizes Há mulheres que trazem o mar nos olhos pela grandeza da imensidão da alma pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens... Há mulheres que são maré em noites de tardes... e calma Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética
Muita agitação e problemas para resolver que se nos deparam no nosso quotidiano, de solicitações várias, deixam-nos desprovidos de tempo para nós.
É nesses momentos que necessitamos de parar para reflectir, sob pena de arrastarmos situações que, nos podem levar a tomar resoluções precipitadas.
Fazer uma ligeira introspecção, se possível, num sítio calmo e liberto de movimento, é para mim o ideal e, depois não ficar muito tempo nesse estádio e partir para a acção.
Naquela manhã de sol assaltou-me o desejo de passar pelo Convento do Varatojo. Tenho boas recordações dos momentos de meditação, do grupo de oração, orientado pelo padre franciscano Simões e alguns noviços. Esses encontros de oração, na capela ou numa das salas do convento, traziam-nos paz de espírito e ajudavam-nos a suportar a carga que carregávamos aos ombros depois de uma semana de trabalho e lutas.
Havia partilha e acompanhamento que naquele lugar tão calmo, à sombra do convento, nos trazia de volta à serenidade.
Digamos que íamos beber à fonte .
O convento do Varatojo foi edificado no reinado de D. Afonso V, para cumprimento da promessa feita a Santo António, na sequência do seu pedido de auxílio para as campanhas do norte de África. Foi o próprio monarca que lançou a primeira pedra com a presença dos elementos do clero, nobreza e povo. No início, o Convento foi entregue à Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos que na actualidade ainda se mantém. Foi classificado como Monumento Nacional desde 23 de Junho de 1910.
A Capela de Nossa Senhora do Sobreiro construída em 1977, encontra-se à entrada do lado esquerdo e já no átrio. É adornada com talha dourada e mármores.
A entrada da Igreja tem um pórtico ogival e o tecto mudéjar.
Na Igreja de uma só nave e sem transepto, encontramos as paredes revestidas com azulejos do século XVIII. A arquitectura apresenta os estilos gótico, maneirista e barroco. A Capela-mor, rica em talha dourada tem um lambril de azulejos com cenas da vida de Santo António. O claustro do convento em tipo gótico apresenta dois andares com arcadas ogivais por onde as glicínias trepam floridas, na Primavera.
Segundo a tradição, D. Afonso V assomava à janela dos seus aposentos para falar aos pobres e distribuía-lhes esmolas.
O convento tem uma grande mata por onde se pode passear para descansar o olhar e a mente.
Respirando o ar puro, sente-se o perfume das árvores e das flores.
Foi neste Convento que em 1995 foram celebradas as minhas Bodas de Prata pelo Padre Azevedo e, em 2003, realizou-se o Baptizado do meu neto Lourenço. Também na Igreja foi celebrada a Missa de Acção de Graças do 9º Aniversário da AUTITV seguido do almoço piquenique na mata. Contámos com a presença da Vereadora da Cultura Drª Ana Umbelino.
O Carnaval passou e entrámos na Quaresma. É tempo de parar, tempo para reflectir ... É tempo de olhar para dentro de nós mesmos e sentir coragem para mudar. É tempo para amar o próximo. É tempo para Deus!