Muita agitação e problemas para resolver que se nos deparam no nosso quotidiano, de solicitações várias, deixam-nos desprovidos de tempo para nós.
É nesses momentos que necessitamos de parar para reflectir, sob pena de arrastarmos situações que, nos podem levar a tomar resoluções precipitadas.
Fazer uma ligeira introspecção, se possível, num sítio calmo e liberto de movimento, é para mim o ideal e, depois não ficar muito tempo nesse estádio e partir para a acção.
Naquela manhã de sol assaltou-me o desejo de passar pelo Convento do Varatojo. Tenho boas recordações dos momentos de meditação, do grupo de oração, orientado pelo padre franciscano Simões e alguns noviços. Esses encontros de oração, na capela ou numa das salas do convento, traziam-nos paz de espírito e ajudavam-nos a suportar a carga que carregávamos aos ombros depois de uma semana de trabalho e lutas.
Havia partilha e acompanhamento que naquele lugar tão calmo, à sombra do convento, nos trazia de volta à serenidade.
Digamos que íamos beber à fonte .
O convento do Varatojo foi edificado no reinado de D. Afonso V, para cumprimento da promessa feita a Santo António, na sequência do seu pedido de auxílio para as campanhas do norte de África.
Foi o próprio monarca que lançou a primeira pedra com a presença dos elementos do clero, nobreza e povo.
No início, o Convento foi entregue à Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos que na actualidade ainda se mantém.
Foi classificado como Monumento Nacional desde 23 de Junho de 1910.
A Capela de Nossa Senhora do Sobreiro construída em 1977, encontra-se à entrada do lado esquerdo e já no átrio.
É adornada com talha dourada e mármores.
A entrada da Igreja tem um pórtico ogival e o tecto mudéjar.
Na Igreja de uma só nave e sem transepto, encontramos as paredes revestidas com azulejos do século XVIII.
A arquitectura apresenta os estilos gótico, maneirista e barroco.
A Capela-mor, rica em talha dourada tem um lambril de azulejos com cenas da vida de Santo António.
O claustro do convento em tipo gótico apresenta dois andares com arcadas ogivais por onde as glicínias trepam floridas, na Primavera.
Segundo a tradição, D. Afonso V assomava à janela dos seus aposentos para falar aos pobres e distribuía-lhes esmolas.
O convento tem uma grande mata por onde se pode passear para descansar o olhar e a mente.
Respirando o ar puro, sente-se o perfume das árvores e das flores.
Foi neste Convento que em 1995 foram celebradas as minhas Bodas de Prata pelo Padre Azevedo e, em 2003, realizou-se o Baptizado do meu neto Lourenço. Também na Igreja foi celebrada a Missa de Acção de Graças do 9º Aniversário da AUTITV seguido do almoço piquenique na mata. Contámos com a presença da Vereadora da Cultura Drª Ana Umbelino.

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