sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Desfile de moda

Passagem de modelos na AUTITV



A primeira passagem de modelos aconteceu há cerca de 13 anos e partiu da iniciativa de elementos da Direcção, uma professora e 2 alunas. Uns fatos eram confeccionados com tecido e ornamentados com papel e outros eram totalmente de papel e elaborados de acordo com a criatividade de cada modelo.
Foi um momento muito vivido em clima familiar e com o entusiasmo e arrojo de quem se expõe para partilhar e animar. 









Há dois anos voltámos a ter novamente passagem de modelos com o objectivo de mostrar os belos modelos confeccionados pelas alunas sob a mestria da professora D. Deolinda que apesar dos anos e da sua pouca saúde continua a dar o seu valioso e profissional contributo. 


Os adereços: chapéus, malas. colares e pulseiras foram elaborados pelas alunas da disciplina - Oficina do Papel sob a competente orientação artística da professora Maria da Conceição Anes. Estes adornos confeccionados em papel entrançado, verdadeiras maravilhas deram mais "glamour" aos modelos.
E para que nada faltasse a este desfile de moda, a música trouxe o ritmo e o saber pisar com elegância numa passerelle desenhada pela passadeira vermelha que deu dignidade e realismo ao evento. 
A assistência foi pródiga nas palmas e não faltou ecoando, o "Bravo"! masculino, e a chuva de fotos tiradas pelo professor Lourenço e alunos sempre presentes e atentos. Parabéns a todos.












                                                                                                         



                                                          
                                                                   





                                    

Um agradecimento às professoras Ana e Cristina e respectivas alunas que no segundo evento apresentaram também fatos em papel que revelaram muita criatividade.

A todas as Mulheres que desfilaram e áquelas que não o puderam fazer, o meu profundo respeito e admiração pela coragem e a força que souberam esconder atrás do sorriso ou do silêncio. Bem hajam.




 

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Tardes em movimento







Na AUTITV as aulas de movimento são uma constante.


"Mente sã em corpo são" é o lema para as actividades desenvolvidas por alunos e professores.


Entram nas aulas bem humorados e saem com a jovialidade de quem nem se lembra das artroses.
Ginástica de manutenção, terapêutica , ginástica rítmica, yoga e danças são ofertas diversificadas que envolvem mais de uma centena de seniores. Benefícios ? Muitos!. 
            



O yoga leva-nos à paz e à quietude.É uma filosofia em que o corpo, a mente e o espírito interagem e levam-nos a movimentos conscientes controlados pela respiração.
A ginástica melhora o tónus e a força muscular, traz benefícios cardiovasculares, combate a ansiedade e aumenta a auto-estima.
A dança é óptima para os seniores porque ajuda-os a melhorar a memória e a envelhecer com graça e elegância.




Como dançar requer ritmo e boa postura, ajuda-nos a manter o controlo do corpo. Melhora a capacidade intelectual e a consciência espacial levando à flexibilidade, coordenação e agilidade.



Em suma, devemos movimentar o corpo com leveza, ritmo, graça e sabedoria.
E na AUTITV temos bons professores com sábia e voluntária disponibilidade que nos querem manter jovens e felizes.

                                                Bem Hajam     
                                                                           


O Grupo de Danças Latinas da AUTITV, no Teatro Joaquim Benite de Almada. 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A dama misteriosa - Aguarela






A dama misteriosa dirige-se  para o Moulin Rouge e receosa de ser descoberta esconde-se na penumbra de um vão de escada.
A sala  iluminada por lâmpadas amarelas é palco de um par que, no centro, dança com movimentos rápidos.
A bailarina, num rodopio frenético,  deixa ver a roupa branca interior esvoaçante.
A música e as canções desafiam e  emprestam um clima brejeiro que nada convém à  condição social a que a dama pertence o  que a deixa aturdida mas  não indiferente.
A sua figura franzina e a palidez acentuada pela falta de pintura começou a tornar-se notada.
Confusa com tudo o que presenciou corre assustada para o exterior,  qual Cinderela, fugindo do seu príncipe encantado que, já animada pelo sonho transporta no coração. 





Henri Lautrec nasceu a 9 de Maio de 1863 da união de dois primos de primeiro grau; o conde Alphonse de Toulouse-Lautrec e a condessa Adèle.

Henri foi educado pela mãe que foi uma referência forte na sua formação. A assistência tão obcessiva devido à fragilidade da sua saúde deu origem, mais tarde, à tentativa de libertação do cordão umbilical o que talvez justifique a tendência independente de sair da alta sociedade para entrar na vida boémia da Belle Epoque.
Henri Lautrec tinha uma doença óssea hereditária em que nas quedas partiu as duas pernas que o deixaram diminuído fisicamente.
Em adulto media 1,52m. 
O talento artístico revelou-se durante a doença em que desenhava tudo o que lhe vinha à cabeça.
Em Paris conviveu com pintores da época: Eugéne Boch, François Gauzi e  Van Gogh a quem pintou um retrato a pastel.
Lautrec tornou-se famoso com a reprodução de gravuras e dos cartazes de grandes dimensões e  muitos deles representativos de cenas do Moulin Rouge.

Deixou cerca de 600 obras e é  lembrado como grande pintor do ser humano.
Tem obras espalhadas por vários museus mas a maioria estão em Albi no Museu Toulouse-Lautrec.
Faleceu a 9 de Setembro de 1901 com 36 anos incompletos e as suas últimas palavras foram para a mãe.






  

                                     
                                                                                              










domingo, 28 de janeiro de 2018

O Prémio

Nas traseiras da nossa casa em Alpiarça existia uma pequena quinta e eu gostava muito de ir para lá brincar com a filha da caseira.
Essa  amiga, de nome Albertina, era da minha idade e teríamos na altura 5 anos.
Tínhamos o péssimo hábito de brincar com os nossos brinquedos no rebordo do tanque que continha a água para a rega das hortas. Por diversas vezes fomos avisadas do perigo que corríamos mas a nossa desobediência era superior.
O burro, de olhos vendados mesmo ali ao lado, tirava à nora, a água do poço que entrava no tanque quase cheio. 
Nós estávamos sentadas na sua beira e, de repente, a Albertina cai à água. Muito assustada ela grita e estende-me o braço para eu o agarrar e puxar para cima.
Numa fracção de segundo e sem fazer qualquer raciocínio que me ocupasse tempo, corri para o palheiro que estava ao lado e retirei um pau comprido e robusto que arrastei até ao tanque. 
Ela bracejava aflita no meio da água e eu, do lado de fora, estendi-  lhe o varapau que ela agarrou.
Puxei com toda a força que os meus cinco anitos permitiram e ajudei-a a sair e a sentar-se no chão, não fosse cair outra vez na água.
Então corri à horta e gritei pela avó que muito aflita veio socorrer.
Para os adultos tinha sido um grande feito, para mim era uma confusão e uma vergonha ter que responder a tantas perguntas.
Fui tirar uma foto para figurar no jornal lá da terra e o jornalista propunha-se candidatar-me ao prémio Valle Flor.


Comecei a andar nervosa e a perder o apetite. Ainda estava traumatizada pelas constantes idas ao IPO e não queria sair de casa.
O meu pai entendeu o meu drama e nada avançou.
Recordarei sempre a simplicidade do amor dos meus pais e como essa lembrança me conforta.  

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Um sonho real.


Há momentos da vida que não se explicam, sentem-se ou simplesmente acontecem. Sonhos todos temos, uns concretizam-se, outros afloram e logo terminam, outros transformam-se em pesadelos.
A Autitv- Associação para a Universidade da Terceira Idade de Torres Vedras, nasceu do sonho de 4 professoras, a 4 de Junho de 2003.
A experiência conseguida através do encontro anual das professoras aposentadas iniciado por nós, e alvitrado no dia do meu almoço de aposentação e da minha colega Ana Ilda, trouxe-nos o desejo de criar um espaço de partilha de saberes e de convívio.
O meu entusiasmo era enorme mas o receio da aventura não era menor. 
Partir para o desconhecido e deixar para trás o conforto de não ter responsabilidades depois de uma vida já bem preenchida de actividade profissional era angustiante mas simultâneamente desafiante.
Era necessário dar o passo mas a insegurança era muita e ouvia constantemente:"vê no que te vais meter." Já estás esquecida do que passaste? Ainda não estás bem!"
Mas tinha que dar a resposta às minhas colegas e como sou de "Antes quebrar que torcer"continuei a sonhar com o projecto.
Naquela noite em Santa Cruz deitei-me e adormeci com o barulho do mar. 
Sobre a manhã semi-acordada pedi ao meu marido para escrever a frase premiada do meu sonho. 
A resposta não foi pronta e eu esqueci a bonita frase onírica.
Ficou apenas a frase desclassificada porque lhe tinha caído um borrão de tinta. Fiquei desalentada, a outra frase era tão bonita!
Li então o que ditei e fez-se luz no meu coracão e na minha mente.
A frase que perdeu o concurso era: "As boas obras são as pedras que formam o caminho da alma."
A resposta estava ali. Era uma missão a cumprir e eu tinha que fazer parte dela. 
No dia  seguinte  reunimo-nos e demos alma ao projecto que iniciou com cerca de 90 alunos e 160 sócios.
Torres Vedras tinha uma Universidade Sénior. 
Volvidos 15 anos e, com a colaboração de várias Direcções e de Órgãos Sociais que estoicamente  têm colaborado voluntáriamente a par com  professores, alunos e associados, hoje a AUTITV tem 1080 sócios, 420 alunos, 57 disciplinas e 84 turmas.
Bem-haja a todos, sem excepção. O sonho tornou-se realidade!
A minha vida tem sido mais preenchida e todos e todas que pela AUTITV passam, sentem com certeza o mesmo sentimento de felicidade pelos objectivos que alcançam nesta fase das suas vidas.


         
                                     DIRECÇÃO da AUTITV




                            ÓRGÃOS SOCIAIS da AUTITV

                               
                   

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Sonhos perdidos.


Aguarela


De Junho a Outubro alguns distritos de Portugal foram fustigados pela catástrofe dos incêndios.
Houve perdas de vida, cerca de 110 pessoas, algumas delas eram crianças que dolorosamente foram arrebatadas pelas chamas.
Foi um flagelo que não deixou ninguém indiferente. Casas destruídas, campos desertos, vidas abruptamente roubadas.
A instabilidade atmosférica com ventos fortes, trovoadas, e a passagem do furacão Ophélia que trouxe mais ventos, deixaram o território vulnerável mas houve outras razões que não deviam existir. A prevenção residual de limpeza das florestas e de outras estruturas, tão levianamente descuradas, deixaram campo aberto para a desolação criada pelos cerca de 500 mil hectares de área ardida.
Quantos sonhos de uma vida queimados num abrir e fechar de olhos e a que Portugal assistiu impotente e revoltado.
No ar ficou o inferno do calor, das cinzas e do fumo. Nos rostos, a tristeza do vazio e da revolta.



domingo, 21 de janeiro de 2018

A rua Forno do Tijolo



Em Lisboa, partilhávamos a casa com os meus padrinhos e a filha Liberta,  na Rua Forno do Tijolo, perto da Igreja dos Anjos. Esta casa era da Senhora D. Maria José da Conceição Costa, irmã de José Feliciano da Costa, Ministro do Trabalho, no tempo do Governo de Sidónio Pais.
O meu padrinho gostava de música e o irmão Aníbal Tapadinhas tocava e acompanhava alguns fadistas.
Recordo com saudade aquele prédio que entretanto  também foi demolido.
Tinha varandas de sacada em ferro forjado, alindadas com vasos de flores e plantas aromáticas para condimentar a açorda alentejana ou a sopa de poejos que eu detestava. 
Ver descer e içar o saco, preso na ponta da corda, onde o padeiro ou o leiteiro deixavam o pão e o leite, era para mim um divertimento. Estava sempre à espera que ficasse preso nas varandas dos vizinhos (o que por vezes acontecia) para lhes bater à porta e receber um rebuçado.


Lembro-me do eco dos pregões das varinas que traziam o peixe do mercado da Ribeira para ser vendido de porta a porta e da mulher da fava rica que a trazia, numa panela dentro do cesto, e que a vendia na escada, uma vez por semana.
Guardo ainda, com saudade, o cheiro do leite com café que saía das leitarias. Era único!
Passear pelas ruas e ouvir o tilintar dos eléctricos que no seu amarelo metálico passavam nos carris, era um deslumbramento!



Intrigada, ficava parada de boquita aberta a vê-los passar...
A lembrança dos cheiros e dos sabores, dos tons e dos sons recordam-me, com alguma nostalgia, aquela Lisboa de outros tempos que eu na inocência dos meus quatro anitos repetia com graça e orgulho: "Sou lisboeta, sou alfacinha!"

O Chiado era o ponto de encontro da cidade e o local preferido para as compras de Natal. Havia grandes armazéns e bonitas lojas mas ainda não existiam os Centros Comerciais.
Havia movimento nas ruas, mas ainda se sentia nos rostos o efeito da Segunda Guerra Mundial que terminara havia poucos anos. 
As senhoras usavam os fatos abaixo dos joelhos e embelezavam-se com chapéus e luvas. Senhora que se prezasse não vinha para a rua sem estes adornos. Lembro-me de mexer nas caixas redondas da D. Maria José e  da minha prima Liberta que nelas guardavam os chapéus de vários estilos dependendo da ocasião em que eram usados.
Nesta época falava-se do casamento da futura Rainha Isabel II de Inglaterra com o Príncipe Filipe de Edimburgo que, felizmente continuam vivos, e da morte de Evita Peron. A moda sofreu a influência desta primeira dama que foi adorada pelo povo da Argentina.
O meu mundo era o das bonecas de papelão ou de trapo, feitas pela minha mãe, e que eu vestia com as roupinhas que ela confeccionava para elas e para mim.