Era uma bébé muito chorona e não gostava de ter a fralda molhada.
Naquele tempo não havia fraldas descartáveis e as mães tinham de as fazer num tecido confortável para o bébé. Usava-se um alfinete de dama para as prender o que de certo modo podia trazer riscos .
Por cima vestia-se o cueiro que chegava aos pés.
O vestuário era confeccionado pelas mães e avós. Os casaquinhos eram tricotados, com amor, pelas mãos habilidosas de minha mãe .
No meu tempo, as fotos eram escassas e apenas tenho algumas tiradas a partir dos nove meses. Os tempos eram outros e as prioridades também mas o amor e carinho que os meus pais tinham não era menor.
Comecei a andar com nove meses e como era muito curiosa corri alguns perigos.
Estava atenta a todos os movimentos dos adultos e perspicaz apoderava-me de objectos que, por vezes, não estavam ao meu alcance.
Assim, na casa dos meus avós , chupei cabeças de fósforos; algodão embebido no remédio para matar as formigas que estava escondido mas que não me escapou; cair do berço aos seis meses e rebolar pelos degraus e sair ilesa ou procurar os bichinhos na horta que em seguida metia na boca...
Era um sobressalto contínuo para a minha mãe.
Com dois anos.
Naquele tempo não havia manuais de puericultura para ajudar os pais. Era a sabedoria popular e a ajuda dos familiares.
As mães tinham todo o tempo para se dedicarem aos fihos. A maioria não trabalhava para outrém. A família era uma célula e nela assentava toda a responsabilidade da sociabilização. O amor e o exemplo da família moldava o carácter da criança. O lar era a sua primeira escola, era o seu abrigo, era o seu aconchego. Havia diálogo, havia tempos para o tempo da criança. Não havia muitos brinquedos mas havia imaginação e criatividade que levava a um sentimento de plenitude. Havia renúncia mas não havia frustração.
O amor da Família preenchia qualquer vazio.
Tudo era tão simples que só ele bastava e, essa grata recordação, tem -me acompanhado e ajudado nos momentos menos bons.
Tudo era tão simples que só ele bastava e, essa grata recordação, tem -me acompanhado e ajudado nos momentos menos bons.
Obrigada, meu Deus, pela família que tive!


