quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A fuga - Acrílico


                              A fuga - Pintura em acrílico



                                      O que me prende?
                                      O que me agarra
                                      Como tenazes
                                      Ao teu e meu sofrer?
                                      Quero esquecer.
                                      Quero libertar-me...
                                      Mas as cadeias
                                      Que me amarram
                                      Fazem parte de mim. ..
                                      Quero fugir.
                                      Quero partir
                                      Para bem longe de mim.
                                      Quero sorrir
                                      Quero sentir Abrigo
                                      Dentro de mim.
                                                                            (Anónimo)
                                                                      
A fuga nem sempre será a solução e poderá ser encarada como sinal de cobardia mas, por vezes é uma atitude inteligente para contornar situações de conflito.

A família real portuguesa fugiu para o Brasil em Novembro de 1807 para escapar aos invasores franceses e por lá ficou até 1821.
A viagem foi, segundo reza a História, bastante atribulada com tempestades e alimentos infestados de insectos mas tudo era preferível a ser apanhada pelas tropas de Napoleão.
Em 1822, o Brasil declara a sua independência de Portugal e D. Pedro, filho de D. João VI, sobe ao trono como imperador.  

sábado, 18 de novembro de 2017

Marie Curie - Aguarela


                                                                           Aguarela
                                                 


Marie Curie nasceu em Varsóvia, na Polónia, em 1867 e foi a primeira mulher a ganhar um Prémio Nobel e a primeira a leccionar na Sorbonne em Paris.
Era a filha mais nova de professores e a família ao perder as propriedades ficou com uma vida difícil.
Ao crescer, Marie deparou-se com o problema do preconceito com as mulheres que ambicionavam entrar para uma universidade.
Em Varsóvia não aceitavam mulheres nas universidades pelo que teve de ingressar numa universidade francesa. 
Acordou com a irmã pagar-lhe os estudos de Medicina em Paris e posteriormente receber o mesmo favor.
Trabalhou como governanta e apaixonou-se pelo filho da família Zorawski que mais tarde se tornou um matemático eminente e Reitor da Universidade de Varsóvia.
A família rejeitou-a pelas suas dificuldades económicas e ele não se opôs. Marie sofreu mas, determinada, deu novo rumo à sua vida.
Marie passou a exercer a profissão de professora particular dos filhos de famílias ricas. 
Estudou em Paris na Sorbonne e sofreu muitas privações para poder estudar. Vivia num sótão exíguo quase sem ar e muitas vezes só se alimentava com rabanetes que eram um alimento mais económico.
Chegou a desmaiar com a fome e o cansaço.
O interesse pelas ciências naturais aproximou-a de Pierre Curie com quem se veio a casar.
Ganhou o Prémio Nobel da Física em 1903 conjuntamente com Pierre Curie e Antoine Becquerel.
Foi a primeira mulher a receber o prémio pelas investigações conjuntas sobre os fenómenos da radiação.
Em 1905 Pierre assumiu a cátedra de Física na Sorbonne e, em 1906 é atropelado vindo a falecer. 
Marie Curie  assume a cátedra e foi assim a primeira mulher a leccionar na Sorbonne.
Em 1911 recebeu o 2º Prémio Nobel.
Foi a primeira mulher laureada com dois pémios: um de Física e outro de Química porque conduziu pesquisas pioneiras no ramo da radioactividade.
Durante a Guerra usou o uso da radiografia móvel para tratamento dos soldados feridos. 
Morreu em 1934 com leucemia devido à sua constante exposição ao rádio.
Era uma linda mulher que perdeu a beleza e a vida pela humanidade.
Após a sua morte, a filha mais velha, Irène Curie recebeu o Prémio  Nobel da Química em 1935.
A filha Éve Curie escreveu a mais famosa biografia sobre a cientista que foi traduzida em várias línguas e deu origem a um filme sobre a sua vida.

"A vida não é fácil para nenhum de nós. Então e depois? Temos de ter perseverança e, acima de tudo, confiança em nós próprios.Temos de acreditar que somos dotados para alguma coisa e que essa coisa deve ser alcançada, custe o que custar."

MARIE CURIE ( 1867-1934) 

domingo, 12 de novembro de 2017

A matriarca - Aguarela

Gosto das pessoas com as suas qualidades e defeitos. Todas me têm ajudado, de uma ou de outra forma, a crescer e a ser aquilo que sou. Hoje lembrei-me de duas grandes senhoras a quem muito devo: a minha Mãe e a Drª Gracinda.
À Mãe a quem devo o ser, que me criou com desvelo e amor, educou e me acompanhou nos bons e maus momentos. 
À Drª. Gracinda que conheci na idade adulta e que me curou, incentivou e foi grande amiga.
Ambas mães dedicadas e altruistas. Verdadeiras matriarcas, cada uma a seu modo. 





A matriarca (aguarela)


Via-a como uma força inabalável que transmitia confiança e esperança. 


Havia sempre um conselho, uma frase carregada de sentido, ou uma história a ilustrar pensamentos e memórias.

Naquele rosto havia ainda traços de uma beleza que a doença e a idade não tinham ousado apagar.

Transportava sabedoria nos seus olhos de azul-violeta quando me perscrutava e num sorriso enigmático mostrava o carinho que sentia por mim.

Senhora de uma cultura vastíssima, enriquecida pelos muitos conhecimentos académicos que adquiriu ao longo da vida teve a
humildade de me incluir na sua lista de amigos.

Lembro com saudade os nossos diálogos telefónicos, quando já não podia sair de casa, das vivências ricas de experiências, de viagens pelo mundo, da paixão pela leitura e de uma vida social, da qual procurava fugir.

Com os seus conhecimentos aprendi, com as suas palavras viajei, ri.... amadureci.

Era uma verdadeira matriarca mas adivinhei, nas suas palavras muita renúncia e sofrimento.


À minha Mãe...


Não nasceu em berço de ouro mas tinha a dignidade de uma grande
Senhora que na sua singeleza, transmitiu princípios e valores de que me orgulho.

Mãe terna, carinhosa e sempre atenta às necessidades de todos.
Estar com ela era sentir a tranquilidade das coisas simples, era sentirmo-nos completos.

Passou pela vida com a serenidade e a aceitação de quem tudo dá e nada procura.

Companheira nos bons e maus momentos, submissa e educada, foi ultrapassando fragilidades e reveses sempre com um sorriso.

E que lindo era o sorriso de minha mãe! E o seu olhar...! Guardo-os no meu coração.

A sua maior preocupação era a família. A união era a sua força!
Partiu com a serenidade de um anjo...E, nada mais foi igual!


Nada é tão forte como a suavidade; nada é tão suave como a verdadeira força. 
                                              S. Francisco de Sales                                    

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Praia de Manta Rota - Para o meu neto Diogo.


      Gosto de caminhar pelos passadiços e sentir o cheiro selvagem        no ar. 


           Gosto da companhia do Diogo e do seu jeito de olhar.

        
           Gosto de ouvir o cantar das cigarras  e voltar  a sonhar.




Gosto do brilho do mar quando  a luz do Sol o vem  acariciar.



Gosto de ver ao entardecer as gaivotas na areia.




Gosto de caminhar na areia molhada e, com os pés na água chapinhar.



Gosto de ver as ondas a areia beijar




         Gosto de mergulhar na água morna e nela me deixar anelar.


`

                             Gosto de até à Ria caminhar ...
                          




E...  para casa leve e feliz voltar.







 
                



              E... como a canção diz: "Gosto de viver assim..."





Gosto porque gosto da beleza das coisas simples.

Gosto porque gosto da Natureza no seu estado selvagem. 

Gosto porque gosto de respirar o ar puro e sentir a liberdade de poder estar...



Para os meus filhos e netos dedico esta canção.




















quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Rivalidades




Do livro:

"TONALIDADES"

de
Maria do Espírito Santo Miranda - poema 
Maria Manuela Duarte Estêvão - ilustração




Aguarela


Tu tens o porte do altivo cisne branco, 
A beleza de um lírio do jardim,
A força de um poema num só verso
E o perfume tão intenso do jasmim.


Tu tens  em cada passo, em cada gesto,
A suavidade de uma manhã outonal,
A graça e a leveza de uma pomba
Quando volta noite dentro ao seu pombal.


Mas, se assim te viam os olhos da minh´alma
Quando com olhos d´alma eu te olhava
Meus olhos de amiga descobriram
Pequenino espinho de roseira brava.  


                          

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Para o meu neto Gonçalo - Santa Cruz em Outubro



Santa Cruz é uma das praias mais belas que conheço.
Senhora de um extenso areal e de um mar de águas azuladas é embelezada pelas  arribas fascinantes de cor e mistério.
Naquela tarde de Outubro saí de casa disposta a caminhar pela praia deserta de gente mas cheia de luz e de uma suave brisa vinda do mar.

A praia de Santa Cruz serviu de inspiração para muitos poetas.
Antero de Quental, Kazuo Dan e João de Barros têm nela vincada uma justa homenagem pela forma poética e contagiante que souberam imprimir às suas obras.





 















O poeta João de Barros referiu-a como:" A praia que a Natureza fez
radiante e formosa... um dos mais fascinantes lugares de repouso e sonho que existe no Mundo."


Passo pela Formosa com as suas arribas e piscinas naturais e, fico por momentos, a absorver a beleza de um mar de prata que, naquela tarde de Outono, se estendia até ao infinito. 



Ao lado, surge o famoso  ex- libris - Penedo do Guincho que imponente e majestoso sobrevive ao tempo e às ondas que teimosamente ora o atacam ora o acariciam.




Alargo o passo e avisto a elegante torre que se ergue junto à zona pedonal que, de tão perto, as ondas e as rochas nos trazem o cheiro a maresia.






Desço na praia da Física e descalça caminho na areia. Recordo com
saudade as risadas dos meus netos, os desenhos e os castelos na areia molhada. Sinto a alegria do Gonçalo, ainda pequeno, a correr  atrás das gaivotas e deitado na areia a exclamar feliz:" Avó, isto é que é Vida!".


 Subo ao Pisão e trago nos olhos a calma do azul esverdeado do mar e no olfacto a salinidade que me revigora.  Ao longe, as praias do Mirante e do Navio que me lembram o Festival Internacional de Ondas - Ocean Spirit que tantos jovens e não jovens atrai a estas paragens.
Na linha do horizonte desenha-se a Vigia tão procurada pelos amantes do surf e para lá das arribas:  Santa Rita, a praia piscatória de Porto Novo e, no alto, sobranceiro ao mar,o Hotel Golf Mar do 
Vimeiro.


No regresso a casa , cansada da caminhada mas feliz,  sento-me no meu espaço de eleição junto às hortênsias, ainda floridas, plantadas
pela minha mãe e revejo o mar, os céus e os poentes que à distância de uma pincelada fazem as delícias de qualquer aguarelista. 





 

                                 O meu irmão pescando ao pôr do sol

Sinto-me privilegiada por estar tão perto e poder usufruir da gratuitidade de tanta maravilha. Obrigada Senhor!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

História para os netos - A baleia feliz

A baleia ( Aguarela )
Na turbulência das emoções e dos conflitos interiores que nos oprimem e sufocam, é saudável conseguir a libertação que nos leva de volta à serenidade.


                              História contada aos netos


Certa baleia vivia feliz naquele imenso mar de águas transparentes
sob um céu azul que lhes dava cor.
Todos os dias ia até ao fundo do mar alimentar-se dos inúmeros peixes que descuidados lhe entravam na barriga quando ela escancarava a sua enorme boca.
Para uns, era uma honra serem o seu alimento, para outros, ela era o terror do mar.
Quando atravessava as águas profundas e passava pelos rochedos de corais ficava deslumbrada com as cores maravilhosas da flora marinha e, por vezes, ficava ali parada mas logo se lembrava que tinha de vir à superfície  para respirar.
É que a baleia não é um peixe é um grande cetáceo que, como os humanos, respira pelos pulmões.
A baleia era brincalhona, gostava de dar cambalhotas sobre si mesma e com a sua grande cauda assustava os peixes maiores que encontrava.
Ela não gostava dos tubarões e afastava-se dos golfinhos ou eram eles que a evitavam. Vá-se lá saber o que passava pelas suas cabeças ... coisas de animais!
Quando a baleia os olhava com os seus grandes olhos todos se afastavam e assim ela considerava-se  a rainha do mar.
Um dia, quando subitamente apareceu à superfície para respirar, sentiu uma dor profunda no dorso.
Assustada e dorida desatou numa fuga desesperada. Então reparou que estava a ser perseguida por um barco ou era o barco que era arrastado por ela.
Eram os pescadores de baleias que lhe dispararam o arpão para a apanhar.
Sentiu-se perseguida e ferida. A perder sangue começou a ficar cansada. Aquele enorme corpo começou a fraquejar.
No momento em que as forças a estavam a abandonar surgiu um tubarão que ela julgava não ser  amigo e com os seus dentes afiados cortou a corda do arpão. A baleia ficou aliviada.
O barco ficou para trás e ela submergiu nas águas.
Mais tarde recuperou com a ajuda dos golfinhos e de outros animais marinhos.
A baleia continuou a viver naquelas águas por muito tempo e em
harmonia com todos os que ali habitavam.

A Amizade é uma arma que desarma!



CURIOSIDADE:

Foram vistas oito orcas  ao largo da baía de Cascais entre as praias da Costa da Caparica e Sesimbra.
Estes animais marinhos são da família dos golfinhos mas em maiores proporções.
A curiosidade está no facto de aparecerem no dia, 4 de Outubro, em que se comemora o dia Mundial do Animal.