quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A teia dos pensamentos

A teia (aguarela)

A aranha constrói a sua teia e o ser humano os seus pensamentos.

Os nossos pensamentos por vezes num emaranhado desenfreado vêm ditando o nosso comportamento e o sentido da nossa vida. 

Os nossos pensamentos só têm os limites que lhes queremos atribuir ou imprimir. Somos aquilo que pensamos.

O  filósofo Descartes disse : " Penso, logo existo.


Para Sigmund Freud: "Não somos apenas o que pensamos ser.
Somos mais : somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos "sem querer". 

Buda também afirmou :"Nós somos o que pensamos. O que somos surge com os nossos pensamentos. 
Com os nossos pensamentos fazemos o nosso mundo."

Quantas vezes nos sentimos pendurados como a aranha na sua teia. 
Parece que tudo fracassa mas, há sempre o vislumbre de uma saída.
Partir para a estabilidade requer coragem para a subida... de volta à liberdade e à coerência. 


A frase " Penso, logo existo" do filósofo francês  René Descartes marcou a visão do movimento iluminista que colocou a razão humana como única forma de existência.

René Descartes(1596-1650) é considerado o fundador da filosofia moderna.







domingo, 8 de outubro de 2017

História para os netos Maria e Tomás


                         
 A raposa disfarçada - Aguarela

A raposa solitária andava esfaimada lá no alto da serra. A neve caía e a raposa nada tinha para  comer.
Cada dia que passava sentia-se mais fraca e então lembrou-se de descer ao povoado para encontrar comida.
Quase  de rastos desceu a encosta e chegou  perto do casario.
Muito receosa, espreitou para um quintal e viu uma capoeira cheia de galinhas e patos.
Ficou tão contente que até a saliva lhe caía da boca. Mas como havia de lá chegar?
Esperou pela calada da noite e aproximou-se da capoeira que por sorte até tinha um buraco na rede.
-Uff! Que sorte, Hoje é que eu vou encher a minha pobre barriga que tem andado tão vazia.
Devagar, muito devagarinho, não fossem os donos descobri-la, esgueirou-se pelo buraco e ficou lá dentro.
As galinhas e os patos estavam a dormir tranquilamente e o galo da capoeira estava descansado porque ainda não tinha chegado a aurora para começar a cantar.
A raposa atirou-se à galinha mais gorda e levou-a agarrada nos dentes.
Foi uma confusão! As galinhas cacarejaram, os patos grasnaram e o galo cantou.
A dona ouviu todo aquele barulho e veio em camisa de noite ver o que se passava. Contou as aves e verificou que lhe faltava uma e  que até as penas estavam espalhadas pelo chão...
-Isto foi obra de alguma raposa  que anda lá pela serra. Que volte que eu trato dela- disse em tom ameaçador.
Na outra noite, a raposa com o estômago mais aconchegado afoitou-se a ir ao galinheiro. E foi!
Mas à cautela foi disfarçada com uma cabeleira que encontrou perdida perto da sua toca.
Quando chegou ao galinheiro não viu a dona escondida atrás de um arbusto e entrou pelo buraco convencida que não a reconheciam.
As galinhas, os patos e o galo fizeram tamanho alarido que quase acordaram a vizinhança.
A dona Maria saiu detrás dos arbustos, com um pau, para castigar a raposa mas ao vê-la tão magra e com os olhos tão tristes sentiu pena dela.
Então, foi buscar-lhe um prato com comida. Ela comeu tudo e até se lambeu. Agradecida, encostou o focinho na mão da senhora Maria que ficou muito comovida.
A partir daí, a raposa passou a ir lá comer todos os dias e  nunca mais atacou as aves da capoeira..
A raposa disfarçada passou quase a ser domesticada.
Conclusão: Faz bem e não olhes a quem.

domingo, 1 de outubro de 2017

Para o meu neto Lourenço.




Passear é sempre agradável mas quando acompanhada pelos netos tudo toma outras proporções.
Como as férias estavam a terminar convidei o meu neto Lourenço para lanchar na Ericeira.
A tarde estava agradável, a companhia era óptima e durante a viagem a conversa foi animada.


Chegados à vila que se debruça sobre uma bela praia ficámos, por momentos, a observar as ondas que embatiam nos rochedos com alguma fúria.

















Lembrei a família real que partiu da praia dos Pescadores para o exílio, a 5 de Outubro de 1910, para fugir à revolução republicana que veio substituir o regime monárquico.


Passeámos pelo porto de  pesca onde os barcos atracados despertavam  a curiosidade dos turistas e quando a fome aguçou o apetite, sentámo-nos numa esplanada e ali lanchámos.



O meu neto informou-me que a Ericeira é considerada  a única reserva mundial de surf na Europa e que a praia de Ribeira  d´Ilhas é muito procurada pelos surfistas porque dizem que as ondas ali são diferentes.


Dá-me prazer ouvi-los e, é nestes diálogos que eu os vou conhecendo melhor e entrando um pouco no seu mundo que começa a ser muito diferente do meu.



Saímos desta pitoresca vila conscientes de que o turismo tem um papel muito relevante na sua economia.




E, para mais tarde recordar, o Lori fez questão de tirar uma foto à avó. Voilá!


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Gosto de viajar...



Gosto de viajar no Outono porque tudo está mais calmo e a natureza proporciona-nos cores quentes e deslumbrantes que nos despertam os sentidos.

Viajar faz bem à saúde e ao espírito. Abre-nos novos horizontes , aproxima-nos, ajuda-nos a entender as diferenças e a compreendermos melhor os outros.

Foi numa viagem ao Porto integrada num roteiro fotográfico organizado pelo professor da disciplina de Fotografia da Universidade Sénior de Torres Vedras - AUTITV  que eu vivi uma aventura que me deixou realizada.


Saí cedinho com o fresco da manhã a tocar-me no rosto e a despertar-me de uma noite mal dormida pela ansiedade da partida.

Chegámos à bela cidade Invicta e visitámos  o Centro Português de Fotografia instalado no Edifício da Antiga Cadeia da Relação mandado construir por Filipe II de Espanha, I de Portugal e que chegou a albergar cerca de 500 reclusos. O escritor Camilo Castelo Branco e a sua companheira Ana Plácido estiveram encarcerados nesta prisão  por crime de adultério. Visitámos com  agrado todos os espaços possíveis.

O edifício para a sua actual utilização sofreu obras de restauro e arranjos dos  arquitectos Eduardo Souto Moura e Humberto Vieira.

Caminhámos pela cidade, fotografámos a Casa onde nasceu o escritor Almeida Garrett  e entrámos na estação de São Bento, onde observámos os belos painéis de azulejos de  que está revestida.


Almoçámos na Avenida dos Aliados com as suas árvores engalanadas com as quentes cores do Outono e, sempre a pé, atravessámos a magnífica ponte D. Luís de onde desfrutámos a beleza das margens ribeirinhas.


Estávamos no entardecer  de um Porto deslumbrante  de uma serena beleza.  Parei emocionada e agradeci ao Criador a simplicidade de tamanha grandeza.


Senti-me agraciada e penso que todos os companheiros seniores foram tocados pelo mesmo sentimento.



Houve partilha, cultura, emoção e aventura numa viagem que parecia à partida de dificil execução.

Obrigada a todos os que se empenharam para nos proporcionarem este desafio. E,  para os que o viveram como uma proeza alcançada, atrevo-me a citar:

Albert Camus  : "No coração do Inverno aprendi, finalmente, que, dentro de mim, dormia um verão invencível"

domingo, 24 de setembro de 2017

O meu Outono em aguarela

Outono  (aguarela)

Naquela tarde de Outono estava terrivelmente nostálgica e ocorreu-me pintar.

Peguei nas tintas e pincéis e comecei a divagar...

Na minha mente foram surgindo imagens de outros outonos vividos e o pincel foi dando forma e alma ao meu sentir.

As árvores de folhas multicoloridas queimadas pelo sol de Verão deixaram-me solta. Arrastei os pés sobre o tapete macio e estaladiço da folhagem caída e voltei a ser criança.

Corri ao encontro da brisa e, parei extasiada junto do regato que deslizava por entre as pedras.

De pés descalços senti a frescura da água e  o chilrear dos passarinhos.  Então parei...

O pedaço de papel de 25x25 estava pintado. Olhei e vi uma paisagem outonal. Se está bem? Não sei!

Mas sei que este outono veio aquecer, por momentos, o outono da minha vida e fez-me lembrar que não há limites, não há barreiras para a nossa imaginação, para a nossa criatividade... apenas temos de usar a vontade de vencer o medo que nos impede de ter confiança em nós próprios e sobretudo,
Acreditar.

sábado, 23 de setembro de 2017

Poemas

Mar Sonoro

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. 
A tua beleza aumenta quando estamos sós .

E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.

Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

                     (Sophia de Mello Breyner Andersen) 




Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impurezas,

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo  apaixonadamente

Encontra a própria liberdade 
.

            Sophia de Mello Breyner Andersen



quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A força da onda



           Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

                    (Fernando Pessoa, in Mensagem)




Fernando Pessoa foi um dos mais importantes escritores e poetas do modernismo em Portugal. 

Nasceu  a 13 de Junho de 1888, em Lisboa e morreu a 30 de Novembro de 1935.

"Mar Português" é o  mais conhecido dos poemas do seu livro "Mensagem"