terça-feira, 5 de março de 2019

Vila Real de Santo António e do outro lado a Espanha...

Vila Real de Santo António, é uma cidade situada no sueste do Algarve .
Ao longo da Avª da República podemos observar a calma das águas
do rio Guadiana e, na outra banda, a cidade espanhola de Ayamonte. 
A travessia do rio para terras de Espanha fez-se, durante largos anos, através dos barcos que levavam passageiros e veículos. Havia controlo alfandegário e formavam-se longas filas debaixo do sol escaldante algarvio para ir a Ayamonte e trazer louças de pirex, artigos eléctricos, brinquedos e caramelos porque a moeda (a peseta) era menos poderosa que o nosso escudo.









Hoje, existe a ponte que atravessa o Guadiana e liga as duas cidades. O controlo deixou de existir e o turismo tornou-se célere entre Portugal e Espanha.

A marina também trouxe uma vivência mais cosmopolita à cidade. 
Na marginal, existem esplanadas que servem as refeições aos turistas portugueses e estrangeiros que, atraídos pelo ambiente cálido das noites de verão, ficam olhando o Guadiana e as luzes que na outra banda ficam reflectidas nas suas águas adormecidas. 


A ponte





Outros passeiam pelos espaços ajardinados ao som de música,  olhando o rio e recebendo a brisa suave e a tranquilidade das férias que cada um vive e sente a seu gosto  de acordo com as suas possibilidades.
O Grande Hotel Guadiana, hoje o Grand House Algarve, recentemente restaurado com a beleza da sua fachada Art Deco , considerado monumento municipal, enriquece a marginal.
Ficamos a aguardar pelos prédios  pintados  com as suas belas sacadas em ferro trabalhado tenham a mesma sorte. Então teremos, na minha modesta visão, uma verdadeira cidade pombalina.











No centro da Praça do Marquês de Pombal existe um obelisco a homenagear o Rei D. José e o Marquês de Pombal. No chão existe uma rede central de pedras negras vindas da Madeira, alternando com as brancas que vieram de Espanha.

Nesta praça encontra-se a bela Igreja de Nossa Senhora da Encarnação.
















                     





















Nesta praça rodeada de laranjeiras e de edifícios brancos de primeiro andar ainda existem mansardas.  
É o local de encontro para uma amena cavaqueira, sentados nas esplanadas dos cafés e também espaço onde as crianças brincam divertidas sob o olhar atento de pais e avós. 
Que saudades tenho desses tempos em que os meus filhos e os primos, de triciclo ou de bicicleta, andavam ao redor do obelisco ou jogavam nas mesas de matraquilhos com os pais e o avô Manuel.


 


Vila Real de Santo António é das cidades mais interessantes em termos arquitectónicos.
Foi destruída pelo terramoto de 1755 e foi reconstruída com os mesmos planos que o Marquês de Pombal usou na Baixa de Lisboa.
Nas áreas centrais da cidade, as casas são baixas, as ruas são perpendiculares e tudo é rectilíneo. 





Na principal rua pedonal, o antigo edifício do mercado é hoje o Centro Cultural António Aleixo que presta homenagem ao poeta da cidade.
É utilizado para exposições temporárias e passagem de filmes.




Foi neste Centro Cultural que eu apresentei uma exposição individual de quarenta quadros pintados a aguarela. Foi em Abril de 2001, com o apoio da Câmara Municipal.  Foi muito visitada e lembro-me que três, dos quadros vendidos, foram comprados por holandeses e belgas que estavam a residir nos iates ancorados na marina.




Câmara Municipal de Vila Real de Santo António já remodelada.






Nos finais do século XIX e no século XX, a cidade viveu prósperamente. O sector das pescas de atum e sardinha tornaram-se num importante centro pesqueiro e conserveiro com boas fábricas que infelizmente estão desactivadas.
Os tempos mudam e a cidade vive hoje, essencialmente, do turismo e do comércio.




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