De 13 a 16 de Abril fui viajar até Ceuta, Ronda e Pueblos Blancos com a nossa Universidade Sénior.
Gosto de viajar de autocarro porque não vou tão ansiosa como no avião e aproveito para espraiar o olhar pela paisagem envolvente.
Não sei se entro nela ou se é ela que vem ao meu encontro, me envolve e descontrai para esquecer o que me preocupa. Digamos que é um tempo para mim e que me lava e renova a alma.
Passar no barco para Ceuta foi um encanto. Sentir o cheiro da salinidade da água, logo pela manhã, a frescura da brisa no rosto e os cabelos revoltos, deu-me uma sensação de liberdade saudável que não sentia há muitos anos.
O sulco deixado na água, como se de uma estrada de espuma se tratasse, ia aumentando à passagem do barco. As gaivotas em voo rasante, de quando em vez, traziam a presa no bico.
Para trás, ia ficando a costa de Espanha e Gibraltar desenhava-se junto à linha de água.
Os meus olhos, ávidos do azul do mar, retinham as suas nuances que pareciam sair da paleta de um pintor.
A viagem estava no seu términus. Os cargueiros e barcos de grande tonelagem estavam mais próximos e, com as suas cores bem coloridas, traziam mais vida à paisagem.
Sentir-me ali envolvida pela força de uma Natureza palpitante de luz, sons e cores, fez-me recuar nos anos e, ao sentir-me pequenina, senti também a força e o gosto de viver. Sentimentos e vivências que guardo no meu subconsciente e que em qualquer fase, menos boa, me servirão como se de uma"bolsa de recursos" se tratasse. Bem-haja toda a beleza que captei.
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