segunda-feira, 14 de maio de 2018

Momentos e vivências em Santarém...


Li em qualquer livro que Santarém foi uma terra de "sonhos" que escritores quiseram desvendar. 
Almeida Garrett nas "Viagens na minha Terra" referencia os valores puros desta terra ribatejana o que revela uma grande afeição por esta cidade.
Santarém foi um ponto importante nas ligações viárias e consequentemente um local estratégico para os povos que por ali passaram.
Os romanos chamaram-lhe Scallabis e os árabes Sant´Arein.
Em 1147 foi conquistada por D. Afonso Henriques.
As excelentes condições para o cultivo da vinha e da plantação da oliveira aliadas aos bons acessos fluviais elevaram-na rapidamente ao estatuto de grande centro urbano.
Das Portas do Sol, desfrutam-se paisagens de uma lezíria que parece não ter fim rasgadas pelo majestoso rio Tejo.
Quantas vezes passei na antiga ponte quando ia visitar os avós que viviam no Pinheiro Grande, concelho da Chamusca.
No Inverno o rio tinha muito caudal e, por vezes, a Ribeira de Santarém ficava inundada e tínhamos que desviar caminho quando era possível.


Santarém tem um património arquitectónico muito rico.
É considerada a capital do gótico.
No dia 20 de Abril, a Autitv deslocou-se a esta cidade numa visita de estudo programada e orientada pelo professor Granada da disciplina de Cultura Geral.



Visitámos a magnífica igreja do Convento de Santa Clara, observámos a Torre das Cabaças que no topo ostenta as cabaças em barro que ampliavam o som dos sinos. 
Perto admirámos a igreja de S. João do Alporão de influências góticas e romanas e onde se situa o Museu Arqueológico com o mesmo nome e que contém peças de arte desde os períodos romano e árabe.
Visitámos a Igreja da Graça em que a sua rosácea é de uma grande beleza. O gótico aqui é marcante. 
                          
                                                 









O professor Granada também nos quis mostrar a Fonte das Figueiras que é do mesmo estilo arquitectónico do nosso Chafariz dos Canos  mas que merecia um tratamento diferente. A zona circundante é rica em vegetação arbórea e poderia ser um local aprazível se estivesse mais cuidado.

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 O nosso Chafariz dos Canos teve melhor sorte!...


                                                                                                
                                                                                   
Na Quinta de Vale de Lobos, Azóia de Baixo (Santarém), visitámos a Casa onde viveu nos últimos 10 anos da sua vida, o escritor, historiador, jornalista e poeta português da era do romantismo, Alexandre Herculano.
Depois do seu casamento com D. Mariana Meira, algo desiludido com a política e a sociedade de então, dedica-se à agricultura, e surge como produtor do famoso "Azeite Herculano".
Ali, no seu porto de abrigo, faleceu sem deixar descendência. Está sepultado no Mosteiro dos Jerónimos.

Gostei especialmente deste local porque nos remete para memórias vividas, espaços que nos falam de sentimentos partilhados, reflexões profundas, investimentos, paz, serenidade, tudo numa tentativa, por vezes frustrada, de se encontrar a essência da vida, ou o que dela se entende como ideal...
Ali tirei uma foto ao professor Granada que por momentos se afastou e, sentado num banco de pedra observava ... e, na sua facies,  deixou transparecer a serenidade interior que o inspirava.
  

 


Recordei o meu pai e o quanto ele não gostaria de ali estar. Também chegou a ser aluno do professor por quem tinha uma grande admiração e com quem partilhava muitas memórias saudosistas do seu Ribatejo e das suas gentes.
Nesta partilha encontrava sempre eco de amizade e saber. Obrigada, professor Granada! 





















Esta viagem no tempo teve também a visita ao Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão na Casa de Portugal e de Camões. 
Fomos bem acolhidos pelo seu dirigente Prof. Doutor Martinho Vicente Rodrigues que nos falou do fundador, da sua sapiência e filantropia.















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